A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 03/06/2021
Segundo os pensamentos do filósofo grego Aristóteles, a política é a ciência mais importante de todas, haja vista sua capacidade de ensinar aos cidadãos o bem comum a todos. Todavia, nota-se no Brasil contemporâneo que a atuação política dos brasileiros não é abrangente, visto que os jovens carecem de participação ativa nessa esfera. Assim, o uso das redes sociais como única ferramenta de militância cidadã e o mecanismo tecnicista da educação atual revelam-se como causas da permanência dessa problemática na sociedade.
Em primeira análise, vale salientar como o uso das redes sociais propiciaram um ambiente confortável para a atuação na política, o que, consequentemente, diminui a força desses movimentos. De acordo com a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, com o desenvolvimento das tecnologias, não houve debates sócio-culturais acerca dos desdobramentos dessas descobertas científicas e os seus efeitos na sociedade. Dessa maneira, com a popularização das redes sociais, os jovens começaram a se engajar com campanhas políticas e a reivindicar por medidas governamentais majoritariamente no meio digital. Com efeito, a eficiência de movimentos políticos de saírem às ruas foi reduzida e a participação da juventude começa a se restringir a discussões efêmeras no meio “online”, o que não foi previsto e debatido como apontado pelos pensadores de Frankfurt.
Além disso, é imprescindível avaliar a educação atual como insuficiente na formação de indivíduos com senso crítico e capacidade de resolução de conflitos. Diante disso, ainda no renascimento do pensamento filosófico, Michel Montaigne, humanista francês, critica a forma pelo qual os jovens são educados, já que o ensino se resume à memorização de conceitos e não abrange o estímulo ao entendimento e ao aprendizado de tomada de decisões. A partir disso, nota-se que a participação dos jovens na política é baixa devido à dificuldade de desenvolvimento de consensos com os gestores governamentais para a superação de problemas persistentes no país,
Urgem, portanto, medidas capazes de aumentar a participação política dos jovens no Brasil contemporâneo. Para isso, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pelo despacho de assuntos referentes à educação -, por meio de um projeto de lei, adicionar à Base Nacional Curricular Comum disciplinas específicas que ensinem sobre o dever cidadão e incentivem projetos pedagógicos com intuito de promover reflexão política, de modo a não restringir essas discussões as redes sociais. Assim sendo, a política brasileira, paulatinamente, tornar-se-á fiel aos moldes aristotélicos com a participação dos jovens no projeto nacional da democracia.