A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 18/08/2021

O protesto dos “caras-pintadas”, em 1992, foi um marco na história brasileira. Na ocasião, jovens foram às ruas pedir o impeachment do presidente Fernando Collor e protestar contra os escândalos de corrupção. De modo lastimável, apesar do papel crucial dessa faixa etária no desenvolvimento político do país, hodiernamente, a juventude se mostra pouco participativa e indiferente ao tema. Nesse contexto, é o descrédito na política nacional e a desinformação que fomentam essa apatia.

Convém ressaltar, a princípio, a herança política conturbada como propulsora da descrença dos jovens. Isso porque, até 1930, a marca da república brasileira era o voto de cabresto, após isso, houveram dois golpes de Estado, de Getúlio Vargas e dos militares, e dois presidentes sofreram impeachment. Nesse viés, desde 1889, a população vive uma crise representativa, ou seja, os eleitores não se enxergam em seus próprios representantes, que, muitas vezes, quando eleitos, são corruptos. Assim, a juventude é incapaz de confiar nas instituições políticas nacionais.

Outrossim, vale salientar que a ausência de uma educação de qualidade que valorize a cidadania dificulta a participação política do jovem. Consonante ao pensamento do filósofo Immanuel Kant, o homem é fruto da educação que recebe. Sob essa ótica, a apatia da juventude é consequência da precariedade da educação nacional, negligenciada pelo Estado, que não incentiva os jovens a exercerem seus  direitos políticos. Dessa forma, enquanto o descaso  governamental se mantiver, a indiferença dessa faixa etária perante a política do país se perpetuará.

Dessarte, é mister que o Estado tome providências para alterar essa postura negligente dos jovens acerca da poliítica. Para estimular a participação da juventude, urge que o Poder Legislativo crie, por meio de uma prosposta de lei, uma projeto de ampliação do papel político dessa faixa etária. Em síntese,o governo deve instituir cotas por idade nos partidos políticos, a fim de incluir os jovens nos debates e aumentar a confiança deles no sistema. Além disso, é necessário que o projeto inclua eventos com  palestras nas escolas que explorem a importância de exercer a cidadania. Feito isso, será possível fazer da juventude indiferente de hoje os “caras-pintadas” de amanhã.