A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 07/10/2021
A Constituição Federal de 1988 aborda, em sua diretriz, a igualdade entre todos os brasileiros. Nesse sentido, a partir da data da sua promulgação, o voto passou a ser universal, ou seja, independente de renda, escolaridade e gênero. No entanto, mesmo podendo exercer tal direito, os jovens afastam-se da política, deixando de participar de forma efetiva em eleições e durante os governos, e isso ocorre devido ao cenário de instabilidade política e da falta de incentivo nas escolas.
Diante desse panorama, pode-se afirmar que os crescentes escândalos de corrupção afastam o jovem da política. Assim aconteceu com Sérgio Cabral, ex-governador do estado do Rio de Janeiro, que foi eleito com grande popularidade e, após dois mandatos, foi preso e condenado a mais de 320 anos de prisão por receber propina em diversos esquemas, conforme divulgado pela mídia nacional. Tal situação deplorável causa desconfiança e descrença nos adolescentes, que passam a ver a política somente como uma forma de alguns enriquecerem, esquecendo do real significado dessa representação, que é assegurar os direitos e promover uma qualidade de vida à população. Dessa forma, fica evidente que enquanto houver ilegalidades relacionadas ao Estado, os jovens serão uma figura escassa no governo.
Além da falta de honestidade de governantes, outro fator que limita a participação de pessoas mais novas na política é a falta de estímulo nas escolas. Esses locais são os responsáveis por formar um pensamento crítico no indivíduo e, se há poucos jovens engajados no governo, pode-se concluir que a escola falhou em alguma fase. A partir desse panorama de falhas institucionais, o filósofo Zygmunt Bauman criou o conceito de Instituições Zumbis, no qual afirmava que organizações antes fundamentais para a sociedade, hoje perderam o seu papel, vivendo de aparências, sem utilidade concreta. Tal ineficiência estatal pode ser relacionada com os colégios, uma vez que alguns desses locais não exercem mais a sua função de formar o indivíduo, mas permanecem ali, existindo com base na sua tradição de ministrar apenas aulas comuns. Com isso, fica exposto que a ausência do jovem na política não é culpa do jovem, mas sim de uma educação que não lhe é entregue.
Portanto, torna-se necessário aumentar a participação política do jovem brasileiro. Para isso ocorrer, o Ministério da Educação deve criar horários na grade curricular das escolas, sejam elas públicas ou privadas, para falar sobre ações governamentais e a participação popular, isso será feito por meio de gincanas com a educação infantil e de trabalhos educativos para os mais crescidos. Tais ações ocorrerão a fim de criar indivíduos politizados, que utilizarão da sua juventude para tentar melhorar o país. Só com essas medidas, uma Constituição Federal pode entregar para todos os seus direitos.