A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/08/2022

O movimento dos “Caras Pintadas”, em 1922, demonstrou o poder de mudança social dos estudantes brasileiros, os quais responderam com veemência aos escândalos de corrupção do presidente Collor, exigindo o impeachment. Na contemporaneidade, entretanto, o decaimento da participação da juventude na política constitui uma problemática latente. Nesse sentido, tal desligamento advém, sobretudo, da carência de representatividade e da desmoralização desse âmbito no cenário nacional.

Em primeira análise, cumpre ressaltar que a falta de identificação dos jovens com as pautas dos representantes corrobora o alheamento político. Sob esse viés, cumpre reportar ao romance “1984”, do britânico George Orwell, em que a estratégia do líder intitulado “Grande Irmão” de criar ligas juvenis e estabelecer eventos cívicos regulares mantém a população de tenra idade politicamente engajada com as propostas sociais. Dessemelhantemente à obra, no país, nota-se o negligenciamento dos governantes aos anseios dos mancebos, ao priorizarem demandas menos específicas que atendam ao eleitorado de maneira mais ampla. Dessa forma, há um menor interesse desse setor populacional em relação ao tema.

Outrossim, vale salientar que a perda de credibilidade dos estadistas contribui para o afastamento da juventude das discussões políticas. Sob esse prisma, as frequentes denúncias de corrupção e crimes administrativos registradas ao longo da história política da nação fomentam a descrença populacional na possibilidade de transformação do quadro. Nesse contexto, o filósofo francês Jean-Paul Sartre, ao afirmar que “a pior coisa do mal é nos acostumarmos a ele”, exemplifica a postura da coletividade tupiniquim. Desse modo, observa-se a persistência de uma conjuntura de desesperança generalizada a respeito do assunto em