A permanência de trabalhos análogos à escravidão no Brasil

Enviada em 12/06/2026

O livro “12 anos de escravidão” conta a história de um homem vendido e escravi-zado, nos anos 1800, no contexto após a abolição da escravatura nos Estados Uni-dos. Paralelamente ao Brasil contemporâneo, vê-se a necessidade de debater acer-ca da permanência do trabalho análogo à escravidão no território brasileiro. Nesse sentido, observam-se duas questões a serem solucionadas: a negação dos direitos individuais e a desumanização sofrida.

Sob essa óptica, nota-se o atropelamento dos direitos cedidos pelo Estado brasi-leiro. A Lei Áurea, de 1888, determinou que todos os indivíduos deviam ser libertos e não mais obrigados a trabalhar. No entanto, mesmo após 100 anos, a falta de fis-calização corrobora a permanência do imbróglio, uma vez que são abundantes os casos de fazendas e mansões que possuem empregados e os mantém em cárcere, como mostrou o jornal G1, em uma reportagem de 2025. Além disso, as punições não são devidamente atribuídas, pois aqueles que negam tais direitos aos demais cidadãos mostram-se acima das leis por questões monetárias ou, ainda, influência política.

Ademais, a desumanização mostra-se como agente dessa conjuntura. Em seu livro “Olhos d’água”, Conceição Evaristo traz a sub-humanidade com a qual os corpos negros são tratados na contemporaneidade e o diálogo dessa realidade com o passado escravista no Brasil. Não obstante os avanços das legislações que prote-gem as minorias historicamente excluídas, a população brasileira carece de educa-ção que permita libertar-se do racismo estrutural. Este coloca o sujeito negro na posição de servir e fornece impunidade social àqueles indivíduos que os colocam em trabalhos análogos à escravidão.

Portanto, urge solucionar tais questões. Assim, cabe ao Ministério dos Direitos Hu-manos e à mídia - ferramenta capaz de dialogar com a sociedade - fazer campa-nhas de fiscalização e aumentar os canais de denúncias. Tais ações devem ser fei-tas por meio de propagandas nos canais de televisão, visitas periódicas aos locais denunciados e rigidez legislativa (alto cumprimento de pena ou multa). Tudo isso a fim de garantir dignidade a todos os membros do corpo social.