A permanência de trabalhos análogos à escravidão no Brasil

Enviada em 23/06/2026

No livro “Doze anos de Escravidão” é contada a história de um homem vendido e escravizado nos anos 1800, no contexto do pós-abolição da escravatura nos Esta-dos Unidos. Similarmente à contemporaneidade no Brasil, onde há a permanência do trabalho análogo à escravidão, vê-se a necessidade de debater acerca do as-sunto. Dessa maneira, observam-se duas problemáticas a serem solucionadas: a in-visibilidade social e a desumanização dos cidadãos envolvidos.

Sob essa ótica, é inegável que a exclusão desses indivíduos da sociedade mostra- -se crucial para a manutenção do trabalho forçado. Nesse sentido, esse grupo é composto principalmente de pessoas pobres e com baixa escolaridade, as quais, tal como afirmou o geógrafo Milton Santos, são minorias relegadas ao esquecimen-to na vida urbana. Isso ocorre pois, ao torná-las socialmente marginalizadas, seus direitos, previstos em lei (como trabalho livre e remunerado), são negados sem que haja discordância, devido ao desconhecimento legislativo. Por isso, há a continuida-de da exploração desses sujeitos que são vulneráveis socioeconomicamente e pre-cisam de algum labor para manter-se, ainda que em condições precárias.

Ademais, a desumanização de pessoas negras apresenta-se como agente do tra-balho de servidão. Esta situação é concretizada tendo em vista a vulnerabilidade historicamente enfrentada pela população negra periférica, representada no livro “Olhos d’Água”, de Conceição Evaristo. Dessa forma, o cenário demonstrado na o-bra é conferido através da condição de sub-humanidade dada a esses grupos no Brasil atual, o qual carrega de seu passado escravista a posição do sujeito negro de servir sem que sua dignidade seja preservada. Nesse contexto, há conformação so-cial, pois existe, implicitamente, uma hierarquia da dignidade humana, em que o atropelamento dos direitos de uma classe é legitimado por outra mais influente.

Portanto, urge extinguir o trabalho análogo à escravidão no território brasileiro. Assim, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania - órgão capaz de conferir dignidade a todos os cidadãos - ampliar a fiscalização das condições de trabalho no país e expandir os canais de denúncias, por meio de visitas periódicas aos ambientes laborais e criação de departamentos voltados para o imbróglio. Tu-do isso a fim de manter a dignidade do corpo social.