A permanência de trabalhos análogos à escravidão no Brasil

Enviada em 16/09/2024

Embora a Constituição Federal assegure o direto ao trabalho livre, justo e remunerado, percebe-se que, na atual realidade brasileira,não há o cumprimento dessa garantia a uma parcela da população, principalmente no que diz respeito à permanência de trabalhos análagos à escravidão no Brasil.Nessa perspectiva, isso se deve ao silenciamento social acerca dos trabalhos que ferem a dignidade humana e ao descaso estatal no combate a essa temática.

Primeiramente, vale descatar que a desinformação sobre as formas de trabalhos análagos à escravidão fomenta esse cenário. Nesse contexto, Jean Paul Sartre afirma, em sua obra " O ser e o nada", que existe o conceito conhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual alguns temas sociais são banidos da discussão coletiva. Sob a lógica de Sartre, ainda que a discussão no tocante à escravidão moderna seja de grande relevância, não recebe a devida atenção. Essa desatenção é observada em um levantamento divulgado pelo Ministério do Trabalho, segundo o qual 3,1 mil trabalhadores escravizados no Brasil foram resgatados em 2023. Ainda na percepção de Sartre, esses trabalhadores, muitas vezes, não são possuem conhecimento, há um silenciamento social sobre o que é ser escravizado no presente e , assim, acreditam que situações degradantes como fome, moradia insalubre e baixos salários são considerados partes do cenário laboral. Dessa forma, há de se buscar estratégias para quebrar o silêncio acerca da escravidão contemporânea.

Ademais, o descaso estatal com os menos favorecidos fomenta esse cenário deletério.Nesse quadro, Zygmunt Baumanm afirma, em sua obra “Medo Líquidos”, que alguns grupos sociais são excluídos,segregados e abandonados e , dessa forma, falecem simbolicamente, pois mesmo estando de corpo presente na sociedade ela não os enxerga como cidadãos e ignora suas necessidades básicas. Nessa realidade, indivíduos com maior vulnerabilidade econômica são os mais propensos a aceitarem condições análagos à escravidão, ou seja, o descaso estatal no combate à miséria e ao trabalho escravo traz consequências graves colocando o ser humano em situações ultrajantes que ferem a dignidade humana. Dessa maneira, há de se buscar formas de se combater essa cruel realidade brasileira.