A permanência de trabalhos análogos à escravidão no Brasil

Enviada em 18/09/2024

Na obra “Brasil: uma biografia”, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Staring apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas, destaca-se a “difícil e tortuosa construção da cidadania”. Embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza. Nesse cenário, tal fato é evidenciado na permanência do trabalho análogo à escravidão, resultado da desigualdade social e do passado histórico da nação.

Em primeiro plano, pode-se apontar a disparidade social como um dos grandes desafios à permanência do trabalho análogo à escravidão no Brasil. Nesse sentido, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento afirmou que o país está entre os dez mais desiguais do mundo. Sendo assim, as famílias que não possuem recursos financeiros ou intelectuais suficientes para viver boas condições de vida, com atividades que respeitam a dignidade humana, aceitam propostas até mesmo de labores degradantes com o intuito de manter a sobrevivência. Portanto, é vital notar que a problemática persiste devido a desafios estruturais do território, o que emerge por políticas públicas mais eficientes.

Além disso, outro fator intensificador da permanência do trabalho análogo à escravidão é o passado histórico brasileiro. A esse respeito, de acordo com Lewis Strow, só é possível entender a sociedade por meio de eventos históricos. Logo, o antecedente escravocata existente no período colonial do país implementou uma cultura, a qual é geradora da realidade atual, de dominação de um grupo em relação a outro. Desse modo, é importante perceber que o problema em questão não possui origem no século vigente, mas dispõem de raízes profundas no passado.

Portanto, é indispensável intervir sobre esse cenário. Para isso, o Estado deve criar uma série de políticas públicas que melhorem a educação no Brasil e gerem mais empregos para as populações mais carentes, por meio do investimento em cursos técnicos, a fim de reduzir a desigualdade social e a consequente suscetibilidade a aceitação de trabalhos análogos a escravidão. Dessa maneira, será possível acabar com a problemática e tornar a construção da cidadania brasileira mais fácil.