A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 24/09/2025
No livro “O Negro no Futebol Brasileiro”, do jornalista Mário Filho, é retratada a construção do cenário esportivo como um palco de discriminação racialNesse contexto, em analogia à obra, existem permanências históricas manifestadas em atos racistas, em diversos nichos para além do futebol. Assim, isso ocorre devido à negligência estatal e ao eurocentrismo.
Diante do exposto, a inércia governamental contribui com a permanência do racismo. A título de explicação, apesar de a discrminação por raça ser reconhecida como um crime pela Constituição de 1988, o estado falha em conscientizar a população para reconhecer e denunciar atos racistas. Dessa forma, um exemplo disso, foram registrados 64 casos de racismo em estádios de futebol, em contrapartida, o número de crimes reais pode ser muito maior, haja vista que a maior parte é subnotificada, de acordo com dados do jornal G1. Sob tal ótica, segundo o geógrafo Milton Santos, em seu livro “Cidadanias Mutiladas”, a democracia só é efetiva à medida que alcance todo o corpo social, isto é, quando todos os brasileiros tiverem acesso a informação e veículos para denunciar e, consequentemente, diminuir os índices de racismo.
Outrossim, a mentalidade colonial europeia viabiliza a perpetuação de crimes raciais no esporte. A título de esclarecimento, o preconceito atualmente manifestado contra pessoas negras se sustenta sobre um conjunto de ideologias imperialistas, cujo princípio é superioridade dos brancos em todas as instâncias sociais, como no esporte, validando preconceitos. Sob essa ótica, o sistema supracitado passa a repercutir o conceito de “Necropolítica” do filósofo Achille Mbembe, que se caracteriza a partir das ações organizadas dos Estados a definir “o sujeito que deve morrer”, ou seja, as minorias, ao serem excluídas dos direitos instirucionais, como de tratamento digno no esporte, são expulsas da sociedade.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com a Mídia, promova campanhas para conscientizar a população no reconhecimento de crimes raciais, por meio de propagandas em aparelhos digitais e o reinforço da temática nas escolas, a fim de diminuir o racismo no esporte, permitindo a valorização da diversidade como um fator determinante para o valor do esporte brasileiro.