A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 07/11/2025

13 de maio de 1888: data em que foi assinada a lei áurea, pondo fim à escravidão no Brasil, um grande avanço moral e humanitário. No entanto, uma conjuntura cultural e social produzida ao longo de séculos, sem o apoio estatal necessário para uma transformação completa, continuaria existindo, mesmo que de maneira velada. Um exemplo de tal mazela se perpetuando na contemporaneidade, é a permanência do racismo no esporte brasileiro, gerada a partir do preconceito estrutural, e agravada pela ineficiência governamental.

Primeiramente, deve-se destacar que o esporte é uma forma de expressão social, o qual pode ser usado como “termômetro” para uma macro análise; em 2024, o então técnico de futebol do Internacional de Porto Alegre, Roger Machado, afirmou em entrevista coletiva: “o futebol reflete o que somos como sociedade”, frase que serviu de sustentáculo para o fato de que na ocasião, dentre os 20 clubes da série A do Brasileirão, apenas 1 possuía um técnico negro, o Internacional. A ideia argumentativa central do profissional em questão, é de que o preconceito está arraigado no corpo social, e a mudança no esporte virá a partir de uma transformação estrutural em todos os âmbitos.

Ademais, vale ser ressaltada a ineficiência e incompetência estatal, tanto na prevenção da problemática, quanto no combate da mesma. Após a abolição da escravidão, nenhuma medida relevante para inserção dessa grande parcela da população na sociedade civil foi tomada, o que foi fundamental para a construção do racismo estrutal, o açoite e os títulos de posse foram extinguidos, porém, a estética escravista se mantém. Se o foco é a quebra de tal estrutura, e por consequência, um esporte brasileiro mais plural e diverso, o Estado terá de ser o agente principal dessa operação.

Diante desse cenário, torna-se imprescindível a ação dos órgãos estatais responsáveis. É dever do Governo Federal em conjunto com o Ministério da educação, apresentar e naturalizar diferenças no esporte desde a infância, por meio da introdução de aulas de educação física interativas, as quais o assunto principal seria o discutido, com a finalidade de criar indivíduos livres de preconceitos. Dessa maneira, uma sociedade mais igualitária será construída.