A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 01/12/2025
Apesar dos avanços sociais, o racismo ainda se mantém como uma chaga profunda no esporte brasileiro. Episódios recentes, como os insultos ao jogador Vinícius Júnior na Espanha, repercutidos mundialmente, evidenciam que a discriminação racial segue enraizada até mesmo em ambientes que deveriam simbolizar união e fair play. A persistência desse cenário dialoga com o pensamento do sociólogo Florestan Fernandes, para quem o racismo brasileiro é estrutural e se manifesta de forma velada ou direta em diversas esferas sociais, inclusive no esporte.
Em primeiro lugar, a permanência do racismo nos esportes está ligada à naturalização de práticas discriminatórias. Desde xingamentos em arquibancadas até comentários preconceituosos de torcedores e dirigentes, muitos desses comportamentos são tratados como “brincadeira”, o que reforça a impunidade. Dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol mostram que casos de injúria racial cresceram nos últimos anos, revelando que a falta de punição efetiva contribui para a repetição dessas violências. Assim, a ausência de medidas rígidas fortalece um ambiente onde o atleta negro se torna alvo constante.
Além disso, o racismo afeta diretamente as oportunidades e o bem-estar dos atletas negros. Conforme pontua o filósofo Achille Mbembe ao discutir necropolítica, sociedades racistas tendem a produzir espaços de exclusão que definem quais vidas são valorizadas. No esporte, isso se traduz em menor acesso a cargos de liderança, salários desiguais e descredibilização de atletas negros em modalidades além do futebol. A falta de preparação das instituições esportivas para lidar com o problema reforça a desigualdade e inviabiliza um ambiente realmente plural e seguro.
Dessa forma, para enfrentar a permanência do racismo no esporte brasileiro, é essencial unir educação antirracista, campanhas de conscientização e punições rígidas a clubes, torcedores e dirigentes que praticarem discriminação. Além disso, criar canais eficientes de denúncia e valorizar a representatividade negra nas modalidades esportivas fortalece a igualdade. Assim, o esporte pode finalmente cumprir seu papel social de promover respeito, inclusão e justiça.