A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 29/08/2026

Voltaire, filósofo iluminista, defendia em sua tese que o preconceito pode ser reconhecido como: “opinião sem conhecimento”, e que a persistência desse estigma pode acarretar diversos impactos no bem-estar social. Assim, trazendo esse pensamento ao cenário contemporâneo brasileiro, a presença contínua do racismo no ambiente esportivo no Brasil evidencia um problema social grave, afetando a garantia de um padrão de vida necessário pelos cidadãos. Dessa forma, é possível listar como principais causas: a herança histórica e a ineficácia estatal.

Nesse sentido, vale ressaltar que essa discriminação moderna sobre a população negra é um reflexo direto do período de formação identitária dos brasileiros. Isso ocorre, pois a era colonial foi um período estruturado sob um forte viés racista, que tinha como ideal o menosprezo e a violência extrema sobre os povos de etnia africana. Entretanto, mesmo com o fim desse regime, não foi o suficiente, visto que esse pensamento “moldou” a concepção social em relação à cultura afro-brasileira, a qual usa essa ideia como ferramenta de desdém racial nos estádios.

Além disso, para analisar esse óbice, é crucial verificar a “Constituição Cidadã”, a qual, por meio do art. 5, representa um avanço social por assegurar a todos o direito de igualdade. Porém, ela ainda se mostra insuficiente diante da inexistência de projetos públicos eficazes e da ausência de penalidades consideráveis aos praticantes dessa infração penal. Dessa maneira, para que a Constituição seja seguida plenamente, é crucial que o poder público evidencie a isonomia racial como um dever obrigatório e não apenas como um “gasto estatal”.

Portanto, nota-se que, mesmo com a existência de leis que garantam a igualdade racial a todos, o racismo ainda é persistente dentro dos campos, sendo gerado principalmente pela ineficácia estatal. Logo, cabe ao Estado criar projetos públicos de fácil acesso, sustentados por verbas governamentais, que, por meio da ampliação do monitoramento de alta tecnologia nas partidas e da fiscalização das punições financeiras a clubes e federações que não se mostrarem contra esse crime, ajudem a mitigar os casos de preconceitos no território nacional. Assim, possuindo como principal finalidade a construção de um ambiente esportivo saudável a todos, longe dos perigos expostos por Voltaire.