A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 18/03/2024
O filme “Corra”, do diretor Jordan Peele, retrata de forma cômica o preconceito sofrido pelas pessoas pretas, algo que perdura não apenas nos Estados Unidos, país onde se passa a obra, como também no Brasil. Nesse sentido, torna-se per-ceptível que o racismo no Brasil é estrutural e marca o cenário esportivo nacional. Logo, é necessário discutir a inércia estatal na resolução do problema, bem como a persistência de uma mentalidade segregadora na sociedade brasileira.
Primeiramente, é necessário ressaltar que o governo brasileiro falha em execu-tar medidas efetivas no combate ao racismo no esporte. Nesse sentido, a visão do filósofo contemporâneo Focault, de que o Estado deve promover a igualdade entre os cidadãos através do esforço ativo na redução das desigualdades, não se concre-tiza na prática. Logo, os esportes se tornam um meio de propagação do ódio e da intolerância que permeiam na sociedade e o princípio constitucional básico de res-peito a dignidade humana de todos as pessoas é transgredido, o que é evidenciado por dados de uma reportagem da Folha de São Paulo, que aponta que mais de 100.000 brasileiros sofrem com a omissão de seus direitos no Brasil.
Ademais, apesar do avanço nas lutas sociais contra o racismo, existe uma men-talidade popular implicita, com raízes no passado escravagista do Brasil e em uma visão eurocentrica de mundo, de que o branco é superior às demais “raças”. Dessa forma, Simone Beauvoir afirma que “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Apesar de atualmente existir um consenso entre os cientístas e biólogos de que não há superioridade ou inferioridade de “raças”, apenas diferen-ças de etnias, o brasileiro se acostumou, ao longo de séculos, a conviver com a infe-riorização e subjugação dos negros em relação aos brancos
Diante do exposto, urge a necessidade de ação estatal. Portanto, cabe ao Ministério da Esporte, juntamente ao Ministério da Educação e poder público, reali-zar campanhas de conscientização dos direitos das pessoas pretas e de incentivo à denúncia de racismo no meio esportivo. As campanhas devem contar com profis-sionais do direito, bem como com sociólogos e historiadores. Desse modo, haverá um combate ativo que garantirá a segurança e igualdade entre os cidadãos, como defendia Focault.