A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 19/07/2024

Segundo a filósofa Hannah Arendt, “A sociedade está insensibilizada pelo mal e, as-sim, não se espanta com ele.” Em consonância ao pensamento de Hannah, a reali-dade do país atual não é diferente, devido ao fato de que o corpo social não está dando a devida importância para a permanência do racismo no esporte brasileiro gerada pela falta de interesse dos indivíduos com o bem-estar do próximo, sendo esse um desafio a ser sanado. Indubitavelmente, verifica-se a necessidade de des-construir a omissão estatal e a falta de apoio midiático.

Cabe pontuar, em primeiro plano, que a inércia governamental é uma das causas dessa problemática. Nesse sentido, o filósofo Thomas Hobbes argumenta que o bem-estar da população é dever do Estado, no entanto, o governo se mostra inca-paz de promover políticas públicas necessárias para a erradicação do percentual de pessoas discriminadas racialmente nos campos esportivos. Dessa forma, os casos de vítimas sem uma boa sanidade mental, por conta da falta de penalização dos crimes cometidos dentro dos estádios estão aumentando exorbitantemente, pois não há iniciativa governamental para solucionar esse problema. Todavia, é para-doxal que, em uma nação que prevê a sadia qualidade de vida como direito inalie-nável, não se promova gestão da dignidade humana.

Outrossim, é válido salientar a negligência midiática como impulsionadora desse problema. Nesse viés filósofa Simone de Beauvoir ressalta que, “O mais escandalo-so dos escândalos é que nos habituamos a eles.” Paralelo a isso, observa-se uma sociedade totalmente alienada aos preconceitos cometidos nos estádios. Logo, ur-ge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, de modo que discus-sões sobre esse tema não são postas em pauta nas redes. Sendo assim, é neces-sário que haja mudança para ser garantido o respeito de forma igualitária.

Portanto, compete ao Estado, órgão responsável pela administração nacional, em conjunto com a mídia, o dever de apontar os crimes raciais cometidos nas atividades esportivas e as penalidades para quem infringir a legislação , por meio de projetos sociais e debates realizados por profissionais nas áreas psicológica e penal garantindo que todos tenham informações auxiliadoras. Tais ações devem ser realizadas com o intuito de garantir que seja alcançado o bem de todos.