A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 22/03/2024
A lei de injúria racial, criada no Brasil em 1989, criminaliza o ato de racismo em quaisquer circunstâncias. Entretanto, mesmo após sua implementação, tal prática continua presente nas variadas esferas da sociedade, desde as escolas até os famosos jogos esportivos. Dito isso, a permanência do racismo no esporte brasileiro possui como princípios a banalidade da hostilidade racial e a alienação social movida por crenças raciais infundadas.
Em primeira análise, a ocorrência da injúria racial inúmeras vezes contra participantes das práticas esportivas tornou-se algo gradualmente mais comum no mundo contemporâneo. De acordo com a socióloga alemã, Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva acontece continuamente, as pessoas param de vê-la como errada. Dessa maneira, isso se reflete no campo dos esportes: torcedores, ao banalizarem essas mazelas nos eventos esportivos, transformam o ilegal em recorrente, sem o devido respeito para com as vítimas.
Em segunda análise, o preconceito racial provém significativamente da desinformação social, na qual há indivíduos que acreditam em raças superiores e inferiores. Segundo as palavras do filósofo Voltaire: “o preconceito é a opinião sem conhecimento”. Assim, além dessas falácias ditas por tais indivíduos não possuírem nenhum embasamento científico e serem apenas pontos de vistas intolerantes, elas são responsáveis pela perpetuação momentosa do racismo na sociedade brasileira atual, com cidadãos sendo alvos contantes de discriminação dia após dia.
Portanto, para que não haja mais a permanência do racismo no esporte brasileiro, cabe ao Estado, em apoio com os estádios, promover uma maior segurança nos eventos esportivos por meio do incremento na fiscalização dos jogos, especificamente em relação aos crimes de injúria racial. Assim, será possível minimizar consideravelmente a trivialização de tais atos agressivos. Além disso, cabe ao Ministério da Igualdade Racial proporcionar uma tomada de consciência social sobre a diversidade étnica no Brasil por meio de eventos e palestras baseadas em fundamentos científicos. Dessa forma, a população e as próximas gerações estarão mais informadas e, por conseguinte, a legislação racial brasileira será mais respeitada por todos no cotidiano das múltiplas esferas sociais.