A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 23/03/2024
Pelé foi um afrodescendente de destaque no futebol tanto no cenário nacional como no internacional. Entretanto, a aceitação de tal personalidade não retrata a realidade do negro no esporte brasileiro, já que o racismo é um entrave que permanece fundamentado na negligência governamental e na lenta mudança da mentalidade social.
Sob tal ótica, a inoperância do governo diante das torcidas é um óbice para que os afro-brasileiros possam competir em harmonia. Segundo John Rawls, o Estado possui leis que ele mesmo não pode cumprir. Nesse viés, nota-se que o pensamento desse filósofo alude à postura do ente federativo brasileiro, uma vez que esse órgão não pune os atos racistas nas arenas, apesar deles serem tipificados como crime no código penal. Isso ocorre porque há uma lacuna na fiscalização das arquibancadas, visto que falta a instalação de câmeras e de sistemas de reconhecimento facial, o que dificulta a identificação dos autores de tais manifestações. Desse modo, enquanto essa impunidade perdurar, haverá a recorrência da hostilização contra os jogadores negros.
Além disso, o pensamento herdado do pretérito escravista repercurte como um desafio para a inclusão dos afrodescendentes nas competições. De acordo com Maya Angelou, o preconceito confunde o passado, ameaça o futuro e torna o presente inacessível. Diante do exposto, é lícito postular que a reflexão da autora ilustra a realidade nacional, uma vez que expressiva parcela da população ainda vê os melânicos como inferiores e tenta limitar esse grupo de participar da sociedade. Assim, quando um afro-brasileiro conquista uma posição de destaque, como a de jogador, ele sofre com as críticas e com as oposições ao seu título, o que pode danificar a sua saúde física e mental, levando-o a desistir de jogar. Logo, urge reverter tal ótica deturpada para garantir a promoção da inclusão desse conjunto.
Portanto, é preciso agir para tirar o racismo do campo. Para isso, cabe ao Ministério da Infraestrutura, órgão responsável pelas obras públicas, ampliar a fiscalização das arenas, por meio da instalação de câmeras, com o fito de identificar os autores dessa prática e de conter esse comportamento aviltante, garantindo que mais negros possam revolucionar o esporte, igual Pelé.