A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 25/03/2024

Em tempos coloniais e imperiais, no Brasil, a capoeira representava a resistência dos escravos à bruta violência que eram submetidos por serem negros. No governo de Getúlio Vargas, a capoeira foi reconhecida como esporte nacional ,e em dois mil e catorze foi declarada como patrimônio imaterial da Organização das Nações Unidas para a educação. No entanto, no atual cenário brasileiro, a capoeira e outros esportes ainda sofrem com a permanência do racismo. Ademais, a normalização do racismo na sociedade e a falta de inclusões são as principais causas dessa permanência.

Em primeira análise, destaca-se que a normalização do racismo na sociedade brasileira contribui para a sua permanência no esporte. Nessa perspectiva, conforme o escritor e filósofo Silvio Almeida diz em seu livro “Racismo estrutural”, o racismo é sempre estrutural (ou seja, integra a organização de nossa sociedade). Nesse viés, os comportamentos individuais são advindos de uma sociedade racista, cujo preconceito referente a pessoas negras é a regra e não a exceção. A exemplo desse absurdo, vê-se as práticas racistas (ofensas verbais, gestuais e até mesmo físicas) realizadas em campo durante alguma partida de futebol ou ainda nas arquibancadas, direcionada a algum dos participantes diretos da partida.

Em segunda análise, é inegável que exclusão no esporte é o principal fator para tal cenário deplorável. De acordo com o brilhante pedagogo e filósofo brasileiro Paulo Freire, " A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades". Nesse viés, o esporte que deveria ser um exemplo de superação, está sendo alvo da exclusão, e como afirma o educador, é necessário aprender com as difernças, sejam elas raciais ou étnicas. Como exemplo dessa falta de inclusão, é comum ver comerciais patrocinados por marcas importantes com atletas, majoritariamente, brancos que estejam em um esporte considerado de elite.

Destarte, é evidente a necessidade de promover a igualdade de tratamento nos esportes. Portanto, cabe ao Estado - com sua alta capacidade- promover campanhas de inclusão, por meio de projetos educacionais com a parceria de Ong’s, como o Instituto Reação , com fito de erradicar as práticas racistas e fomentar o aprendizado proposto por Paulo Freire.