A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 12/04/2024

“O esporte tem o poder de mudar o mundo”. Para Nelson Mandela, o es- porte sempre foi um forte instrumento de transformação social. Por esse motivo, ele utilizou a paixão nacional dos sul-africanos pelo rúgbi para lutar contra a segre-gação racial no país. É nesta perspectiva, que a permanência do racismo no esporte representa uma mancha na sua história, além de uma afronta a tudo que o esporte simboliza, sobretudo, no Brasil. Assim, para entender esse fenômeno, é necessário entender sua causa e o que impede esse problema de ser solucionado.

Nesse sentido, a manutenção do racismo no esporte brasileiro é provocada pelo ideal de elitização do esporte. Essa questão ocorre, pois a prática de alguns es-portes era restrita somente a elite durante muito tempo no país, como é o caso do futebol que só era praticado por brancos até o final do século XIX. Acerca disso, é que muitas modalidades são elitizadas no Brasil até hoje, como fica evidente no pe-dido de mais diversidade no esporte pela esgrimista negra Bia Bulcão. Deste modo, a continuidade do preconceito racial no esporte brasileiro é ocasionado pela ideia de que existem esportes exclusivo para pretos e pobres.

Ademais, um fator que impede que a questão racial seja erradicada no es-porte no país é o sentimento impunibilidade de quem pratica atos racistas. Isso o-corre, em razão da sensação de anonimato provocada pelo público ou pela inter-net, além das penas brandas aplicadas para os times de torcedores que praticam essas ações, como o Brusque, que foi punido apenas com a perda de pontos após os ataques racistas de seus torcedores contra o jogador Celcinho em 2021. Sob es-sa óptica, o que impossibilita a extinção desse crime é a aplicação de penas leves aos clubes, milionários, e o sentimento impunibilidade dos torcedores, apesar do racismo ser um crime inafiançável e imprescritível, conforme a Constituição.

Portanto, a manutenção do racismo no âmbito esportivo brasileiro represen-ta um insulto à todos os valores apreciados pelo esporte, principalmente, em um país tão diverso. Então, cabe aos clubes mobilizar embaixadores e porta-vozes para o combate contra o discurso de ódio, banir de jogos os envolvidos em atos racistas e entregar sua identificação à justiça para que possam responder judicialmente por seus crimes. Para assim, coibir a prática do racismo no esporte brasileiro.