A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 15/04/2024
“Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista” a autora do best-selller “Mulheres, raça e classe”, Angela Davis, expõe em seu livro as feridas ainda abertas na sociedade, devido a mais de 300 anos do regime escravagista. Analisando a sociedade brasileira -em especial, o esporte - é inegável que casos de racismo ainda acontecem com tamanha frequência que não há como ser dito serem casos isolados. A partir desse contexto, é fundamental a discussão sobre como o racismo é presente para os atletas brasileiros.
Em 2014, o goleiro Aranha, foi vítima de racismo por parte da torcida do Grêmio, onde esta jogou banana no gramado em direção ao esportista. Na época, sete pessoas foram indiciadas pelo crime e, por pressão populacional e midiática, o Grêmio foi eliminado da Copa do Brasil. O padrão que é interessante observar é que apenas são indiciados ou punidos após principalmente pressão vinda da mídia. O que nos passa a mensagem que a punição para o crime de racismo vem apenas com a exposição e não por ser de fato, crime.
Nesse sentido, a CBF (Comissão Brasileira de Futebol), que conta com seus representantes majoritariamente brancos, se mostra omissa com esses acontecimentos recorrentes. Isso deve ao fato que essa liderança não é discriminada ou perseguida pela cor de sua pele. Logo, crime de racismo não são, a priori, suas maiores preocupações. Reforçando a importância de representatividade negra em cargos de liderança esportista, que atualmente é escassa.
Em suma, afim de melhorar a fiscalização nos esportes, assegurando os direitos humanos e civis da Constituição de 1988, faz-se necessário que a CBF capacite equipes com pessoas negras, que saberão identificar atos racistas com maior assertividade e segurança, e que esta equipe esteja presente nos jogos de esporte brasileiro, sendo fiscalizada mensalmente pelo Ministério do Esporte. Os casos identificados como racismo, deverão ser passados para o judiciário. É preciso conscientizar as pessoas sobre a importância da representatividade nas lideranças, por meio de palestras em escolas de esporte e campanhas de inclusão abertas a população. Dessa forma, garantindo um esporte mais saudável civilmente.