A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 23/04/2024

Promulgada em 1988, a Constituição Federal (CF) vigente assegura direitos fundamentais para a democracia e vida digna de seus cidadãos. Porém, a permanência do racismo no esporte brasileiro e suas consequências, como perpetuar a desigualdade, limitar o acesso de talentos negros, gerar tensões nos ambientes esportivos e reforçar estereótipos prejudiciais, interferem no sistema harmônico do Estado brasileiro. Dessa forma, para mediar a conjuntura, é imprescindível enunciar os pilares da adversidade: o fator social e a ineficácia governamental.

Diante desse cenário, é preciso explorar o quesito sociocultural e as suas implicações na temática. De acordo com Pierre Bourdieu, “não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico”. Sob tal perspectiva, no Brasil, a passividade na reflexão crítica do brasiliano sobre o limite dos acessos dos negros nos esportes destoa do progresso bourdieuseano e, com efeito, forma cidadãos sem interesse em resolver a matriz do imbroglio.

Ademais, convém destacar as falhas estatais. A esse respeito, John Rawls, na teoria do Pacto Social, enfatizou o Estado como mantenedor do bem-estar coletivo. Contudo, os impactos sofridos por conta do racismo dentro dos esportes contrastam com a tese do autor, uma vez que o governo do Brasil parece não se preocupar com o enredo, tendo em vista que muitos atletas sofrem desse problema em sua carreira, desde exclusão social até a não contratação. Com isso, é inadmissível a inoperância das esferas de poder no que tange à mitigação do viés.

Portanto, entende-se que a permanência do racismo no esporte brasileiro é um obstáculo intrínseco de raizes culturais e governamentais. Logo, o Ministério das Comunicações, por intermédio da coparticipação de programas midiáticos de alta audiência, deve discutir e elucidar o assunto, com o objetivo de mostrar as principais sequelas do problem e, de forma detalhada, esse órgão vai convidar especialistas em igualdade racial para apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse discutido.