A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 26/04/2024
“A democracia só será uma realidade quando houver, de fato, igualdade racial no Brasil e o negro não sofrer nenhuma espécie de discriminação, de preconceito, de estigmatização e de segregação, seja em termos de classe, seja em termos de raça.” A citação retirada do livro “Significado do Protesto Negro”, do sociólogo brasileiro Florestan Fernandes, demonstra bem que hoje a democracia racial é ainda um mito. O esporte brasileiro, área onde a maioria dos atletas é negra, continua sendo alvo do racismo estrutural, com casos de xingamentos e agressões a esportistas e dirigentes afrodescendentes.
Primeiramente, o racismo já nasceu junto com a origem do futebol. Essa modalidade esportiva foi inventada por ingleses brancos da classe alta, com muito tempo livre, e que excluía a participação dos negros. Além disso, antigamente, os times de futebol que permitiam a inserção de negros eram boicoitados pelas grandes organizações de esporte. Por exemplo, nos anos 20, foi criada uma confederação de futebol que era formada por dirigentes de times cariocas, menos os do Vasco, pelo fato deles serem negros e permitirem a entrada de jogadores negros.
Com o passar do tempo, a inserção do negro nos esportes ficou mais comum. Esse fenômeno fez com que fosse criado, nos anos 40, o mito da democracia racial, que prega que não existe racismo no Brasil. Mas, essa concepção é refutada diante dos inúmeros acontecimentos racistas. Na Copa de 1950, por exemplo, dois jogadores negros, o zagueiro Bigode e o goleiro Barbosa, foram considerados os maiores culpados pela derrota do Brasil para o Uruguai. Mesmo assim, essa teoria continua a circular pelo mundo e é utilizada para mascarar o racismo nos esportes.
Diante disso, é necessário que sejam criados e apoiados projetos sociais pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e outras organizações esportivas brasileiras, que busquem incentivar a inserção do negro no esporte. Além disso, os organizadores dos eventos esportivos devem endurecer as punições para os clubes, com a perda do mando de campo por 15 partidas, e para os torcedores, com a expulsão e a proibição da entrada no estádio por um ano e a obrigatoriedade de fazer trabalho voluntário em entidades afrodescendentes.