A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 22/06/2024

Todos os preconceitos são estruturais, logo, advém das ideias que regem a sociedade historicamente. Assim, só é possível interpretar ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Entretanto, a população tende a habituar-se às mazelas e, com isso, não busca solucioná-las. Logo, a recorrência do racismo no esporte brasileiro atesta a negligência estatal e apatia coletiva.

Em virtude do monopólio da justiça pelo Estado, segundo sociólogo Max Weber, é incontestável sua importância na solução do impasse. Apesar dos desígnios da Carta Magna, ainda impera o chiste do Barão de Itararé sobre a pretensa igualdade racial, “os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes”. Aliás, a sociedade brasileira é carregada de pensamento colonial e elitista, como afirma Laurentino Gomes na obra “escravidão”. Portanto, a ação estatal deve considerar a formação da sociedade brasileira, já que o imaginário popular sempre rotulou e estigmatizou povos negros, e o racismo mantêm-se muito após a abolição, com a manutenção de estruturas coloniais de dominação disfarçadas de avanço social.

Visto que cada cidadão abdica de parte da sua liberdade e delega funções ao Estado, a fim de atingir o bem-estar comum, é extremamente prejudicial a total apatia desse coletivo. Se o Estado é omisso, a população não pode ser cúmplice. Nesse ínterim, o sociólogo Pierre Bordieu, em teoria do habitus, afirma que a sociedade incorpora determinada estrutura social, de modo a naturalizá-la e reproduzi-la. Portanto, é crucial educar a população quanto à perda de sensibilidade, aflorando o assunto da discriminação, com maior cobertura midíatica e rigor nas punições.

Destarte, é crucial que o Ministério do Esporte garanta a aplicação das leis antirracismo, por meio de punições mais rápidas aos criminosos, pois muitos casos não possuem processo penal finalizado devido ao acúmulo de ações ocasionado pela burocracia jurídica. Dessa forma, será possível reduzir a impunidade diante de práticas racistas dentro do esporte, atribuindo um maior valor a essa causa.