A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 08/07/2024
Os Jogos Olímpicos modernos permitiram a participação de pessoas negras a partir da terceira edição, porém, atos racistas perduram nas partidas até os dias atuais. Com efeito, o racismo estrutural e recreativo constituem a permanência da discriminação racial no esporte brasileiro.
Diante desse cenário, é importante salientar que a discriminação racial está presente em todas as áreas da sociedade. Nessa perspectiva, o esporte reflete os comportamentos sociais banalizados no cotidiano, como o racismo. A exemplo disso, o jogador de futebol brasileiro Vinícius Júnior, denunciou por meio de suas redes sociais os constantes ataques racistas que sofre no trabalho pelas torcidas adversárias. Dessa forma, nota-se que, é inconcebível discernir a conjuntura preconceituosa da sociedade como um todo dos núcleos sociais menores, como o futebol. Por isso, é necessário transformar a estrutura social racista para erradicar também o racismo no esporte.
Ademais, o conceito de racismo recreativo do escritor Adilson Moreira é outro fator que corrobora para a permanência do preconceito no âmbito esportivo. Nesse sentido, Moreira afirma que os estádios, por serem ambientes recreativos, trazem conforto para os agressores e o jogo é usado como justificativa para os comentários preconceituosos. Ou seja, o ambiente esportivo, por não ser considerado um local formal mas sim de diversão, faz com que as ofensas preconceituosas percam sua relevância social ao serem propagadas como humor. Assim, o racismo no esporte é invisibilizado e tratado como piada ao invés de crime.
Infere-se, pois, a necessidade de combater a presença do racismo no esporte brasileiro. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, inserir por meio de debates e palestras antirracistas nas escolas, o pensamento crítico e a cultura afro-brasileira, com o auxílio de sociólogos. Além disso, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com a mídia, promover a diversidade e o respeito na cultura popular por meio de filmes, séries e músicas. Tudo isso, com a finalidade de erradicar o racismo estrutural presente na sociedade e, por consequência, o preconceito no esporte.