A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 24/10/2024

A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas assegura a todos os direitos à dignidade e ao bem-estar. No entanto, a persistência do racismo no esporte mostra uma lacuna na garantia do documento. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que possui como causas a falta de denúncias e a sensação de superioridade.

Em primeira análise, destaca-se a omissão social contribuindo para a persistência do racismo nos estádios. Acerca disso, a escritora Djamila Ribeiro afirma: " O silêncio é cúmplice da violência". Nessa perspectiva, observa-se que a escassez de denúncias não permite que o problema seja freado, visto que grande parte dos jogadores e técnicos não delatam os atos racistas. Assim, impossibilitam que o agressor seja punido, fazendo com que eles repitam inúmeras vezes o erro. Com isso, alguns atletas que compõem os times de futebol sofrem o preconceito e se sentem coagidos com as ações revoltantes.

Em segunda análise, nota-se a sensação de superioridade intensificando o racismo no esporte. Para o sociólogo Zygmunt Bauman, ‘‘a sociedade é massivamente individualista’’. Sob essa ótica, pode-se afirmar que muitas pessoas se sentem superiores as outras, visto que as humilham com comentários ofensivos por conta da cor da pele e do formato do cabelo. Consequentemente, essas pessoas começam a rejeitar a própria aparência e desenvolve danos psicológicos, como a depressão e ansiedade.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para mitigar a presença do racismo no esporte brasileiro. Cabe à Confederação Brasileira de Futebol e ao Comitê Olímpico Brasileiro investir em ações que incentivem as denúncias, por meio de projetos sociais, a fim de punir os agressores e extinguir os atos racistas. Tal ação deve ser reforçada pela mídia de massa para que todos tomem conhecimento das medidas. Paralelamente, é preciso intervir na sensação de superioridade, por meio de programas educativos. Logo, espera-se que os cidadãos tenham os seus direitos respeitados, como defende a Declaração Universal dos Direitos Humanos.