A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 09/08/2024

Zygmunt Bauman afirma que “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. No entanto, não é possível verificar uma ação interventiva acerca da permanência do racismo no esporte brasileiro, o que constitui um entrave social ao vitimizar diversos atletas. Diante disso, emerge um grave problema, que se enraíza no legado histórico e na impunidade.

Em primeira análise, vale ressaltar o legado histórico presente na questão. Nesse sentido, Chimamanda Adichie afirma que a mudança do “status quo” – o estado das coisas – é sempre penosa. De forma análoga, é verificada tal dificuldade de mudança no racismo presente no esporte brasileiro, visto que se sustenta baseado na raiz histórica do Brasil, que foi desenvolvida com base na escravidão de povos negros e indígenas. Isso colaborou para a formação de um preconceito estrutural, que promoveu, como previa Adichie, um status quo difícil de ser alterado.

Ademais, outro fator agravante na problemática é a impunidade. Nesse viés, Cícero defende que “o maior estímulo para cometer falhas é a esperança de impunidade”. Tal esperança é presente no contexto, dado que o Estado se encontra inerte perante a situação ao não promover políticas de punição e fiscalização adequadas frente à discriminação. Esse contexto contribui diretamente para a ocorrência de insultos no meio esportivo, uma vez que, como afirmado por Cícero, a impunidade estimula tais comportamentos. Logo, cabe ao Estado reverter seu comportamento.

Por fim, é necessária a intervenção sobre o caso. Para isso, é imprescindível que o governo estimule o desenvolvimento de entidades esportivas antirracistas, por meio do fornecimento de apoio financeiro, a fim de lidar com o legado histórico. Tal ação pode, ainda, contar com a divulgação nas mídias sociais. Paralelamente, é preciso lidar sobre a impunidade, que ainda impera. Dessa forma, será possível concretizar a afirmação de Bauman.