A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 17/08/2024

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de sua miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a permanência do racismo no esporte brasileiro é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, emerge um problema sério, em virtude da formação familiar e da sensação de superioridade.

Nesse cenário, ressalta-se, de início, que a influência da família é um fator do problema. Analogamente, Aristóteles definiu “família” como a comunidade que serve de base para a sociedade. De fato, ela possui papel basilar na permanência do racismo no esporte brasileiro, visto que por meio dela são passados ideais e tradições de geração para geração, o que pode resultar na perpetuação de preconceitos no meio social. Assim, urge que as famílias reconheçam o poder que têm de controlar o coletivo e mudem sua postura.

Além disso, outro fator influenciador é a sensação de superioridade. Semelhantemente, Bourdieu define “violência simbólica” como a inferiorização de indivíduos por crenças dominantes. Tal violência está presente na permanência do racismo no esporte brasileiro, uma vez que atletas brancos são vistos como mais capacitados do que os negros apenas por terem o tom de pele mais claro, e não por suas competências. Ademais, como é mostrado em uma pesquisa feita pela Central Única das Favelas, tal cenário é perceptível não só no esporte, mas também em diversos aspectos da sociedade. Dessa forma, é preciso combater a violência simbólica para superar o problema.

Portanto, é indispensável intervir sobre esse cenário. Para isso, plataformas digitais, como o YouTube, devem criar uma série de vídeos sobre a permanência do racismo no esporte brasileiro, por meio de entrevistas com sociológos, a fim de reverter a discriminação que impera. Tal ação pode ainda conter uma divulgação em outras redes sociais para chegar a mais pessoas. Paralelamente, é preciso agir sobre a formação familiar presente no problema. Assim, poder-se-à transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, e criar um legado do qual Brás Cubas possa se orgulhar.