A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 17/10/2024
Na modernidade, decorrente da expansão dos ideais democráticos, houve a fixa- ção da prática esportiva no campo dos direitos inalienáveis do cidadão. Em contra-partida, no Brasil, predomina um cenário diametralmente oposto a esse, visto que a permanência do racismo no esporte prejudica a sua universalização. Desse mo-do, a fim de combater essa crise sociorracial, deve-se analisar seus principais sus-tentáculos: a falsa simetria de oportunidades e o preconceito disfarçado de elogio.
Diante dessa circunstância, é pertinente anexar culpa, referente a problemática em discussão, na errônea noção equitativa da materialidade das raças. A respeito disso, de acordo com a ótica sociológica de Gilberto Freyre, conserva-se, na sociedade brasileira, um senso de democracia racial que permite a existência harmoniosa entre os diversos coletivos raciais. Entretanto, conforme o livro “As raízes do Brasil”, evidencia-se que o imaginário supracitado não se ampara na realidade nacio-nal, uma vez que os negros ainda enfrentam inúmeros obstáculos cotidianos que o afastam, inclu-sive, do pleno acesso ao esporte. Logo, fica claro que essa noção hegemônica invisibiliza as dificuldades materiais do atleta negro.
Ademais, percebe-se que a discriminação mascarada pela exaltação perpetua a crise em questão. Isso porque, enxerga-se, ao analisar as influências da narrativa naturalista, a elevação dos componentes fisiológicos do negro voltados ao trabalho braçal na literatura e no imaginário social do século XIX. Em paralelo, nota-se que essa perspectiva eugenista do corpo dos ex-escravizados continua a permear o es-paço atlético. Consequentemente, há uma desvalorização do preparo árduo dos atletas afrodescendentes e uma vinculação genética desses à atividade exaustiva. Dessa forma, faz-se necessário combater esse discurso veladamente racista.
Em suma, é indubitável afirmar que a permanência do racismo no esporte brasi-leiro explicíta uma crise democrática no país. Dito isso, cabe a mídia, responsável pela propagação das informações de massa, mostrar, por meio de documentários veiculados abertamente para toda a população, as discrepâncias materiais entre brancos e negros, com o objetivo de explicitar a real situação racial do Brasil. Con-comitantemente, é dever das instituições de ensino, encarregadas pela formação cidadã, descontruir o falso discurso biológico. Assim, atenuar-se-á a crise.