A permanência do racismo no esporte brasileiro
Enviada em 03/10/2024
A Constituição brasileira de 1988 prevê em seu artigo quinto o direito a igualdade, sem distinção de raça, gênero, opção sexual, etc. Porém, esse direito tem sido violado, uma vez que dezenas de atletas vêm sofrendo com ataques racistas. Por isso, é preciso analisar como o racismo estrutural e o descaso governamental são fatores que influenciam na permanência da discriminação racial até os dias atuais.
A priori, é necessário observar como o racismo enraízado na sociedade brasileira serve como barreira para assegurar o que é previsto na Constituição. Pelé, o maior nome do futebol mundial, foi símbolo da luta antirracista no esporte na década de 70. No entanto, sua luta, embora significativa, não chegou nem perto de sanar o problema, tendo em vista que atualmente atletas de diferentes esportes, como o velocista Paulo André e os jogadores de futebol Vinicius Júnior e Endrick são alvos desse tipo de crime. Exemplificando de que modo a discriminação impregnada na sociedade brasileira é um empecilho para a resolução do problema.
Em uma segunda análise, é relevante observar como a negligência Estatal também é um aspecto que impulsiona a manutenção dessa violação. Embora algumas leis tenham sido criadas na tentiva de combater a injúria racial no meio esportivo, percebe-se através de uma pesquisa realizada pela Folha de SP, que revelou que das 87 denúncias registradas em 2023, apenas 38 tiveram um encaminhamento adequado, que o Estado tem se abstido em outro momento do processo: na fiscalização. Evidenciando de que maneira a indiferença do governo favorece esse prolongamento.
Diante do exposto, é de dever do Poder Legislativo, criar leis que aumentem não só a fiscalização sobre as denúnicas, mas também punam mais severamente aquelas que comprovadamente ferem o que é previsto no código penal. Para que, dessa forma a permanência do racismo no esporte brasileiro seja extinguida e o príncipio constitucional devidamente garantido para todos.