A permanência do racismo no esporte brasileiro

Enviada em 18/10/2024

Segundo o jurista Raymond Faoro, a formação da sociedade brasileira é sustentada por um estamento no qual o poder público não prioriza o bem coletivo. Sob essa perspectiva, essa estrutura se reflete na permanência do racismo no viés esportivo brasileiro, já que tanto o Estado quanto os órgãos esportivos falham em buscar soluções efetivas para esse problema crescente: A discriminação racial. Essa realidade impede o progresso da nação e pepertua desigualdades. Assim, para enfrentar essa conjuntura, é essencial discutir dois aspectos fundamentais: o fator sociopolítico e o contexto sociocultural.

À luz dessa perspectiva, evidencia-se a influência do fator político. Nesse contexto, Jean-Jacques Rousseau definiu o contrato social como uma utopia política que idealiza uma forma de governo capaz de assegurar os direitos de todos os cidadãos. No entanto, a persistência escancarada e violenta do racismo em ambientes esportivos contrasta com esse ideal, já que espaços que deveriam promover união e celebração têm se transformado em palcos de violência física e verbal contra pessoas discriminadas por sua cor. Assim, percebe-se que as falhas estatais contribuem para essa problemática, uma vez que o poder público se omite em enfrentar o racismo de maneira eficaz.

Outrossim, é fundamental aprofundado aspecto cultural. Nesse sentido, Pierre Bourdieu, ao estudar os hábitos culturais, afirmou que os comportamentos são heranças transmitidas pela convivência coletiva. Assim, é possível destacar que a base estrutural do racismo remonta ao período colonial e, apesar de atualmente existir leis que penalizam atos racistas, o preconceito persiste. Observa-se, portanto, a falta de deliberações eficazes para esclarecer as evidências desse impasse histórico, perpetuando um ciclo continuo de discriminação.

Portanto, a relação entre governabilidade e cultura contribui para a permanência do racismo no esporte. Assim, o Ministério do esporte - órgão responsável por promover o lazer de forma igualitária e respeitosa - deve, em parceria com o Estado, implementar campanhas públicas e midiáticas que ampliem a conscientização sobre o problema, oferecendo apoio e voz às vitimas, além de garantir punições severas aos infratores.