A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 26/08/2022

Criado, no século XX, pelo cineasta norte-americano Walt Disney para represen-tar o Brasil, o personagem Zé Carioca é apresentado como um malandro que enga-na os outros para conseguir o que deseja. Esse “jeitinho” de levar a vida sempre es-teve presente no Brasil, e persiste em razão de ter se consolidado como um costu-me nacional. Como consequência desse modo imoral de encarar situações cotidi-anas há a formação de cidadãos corruptos, o que contribui a uma involução social.

Nesse sentido, destaca-se como uma das causas da persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira o costume, da maioria da população, de realizar essa trapaça. Isso se deve ao fato de desde o período pré-colonial esse tipo de drible social ocor-rer. Nessa época de pré-colônia, os portugueses visando o pau-brasil (item de ele-vado lucro comercial a eles) exploravam a mão de obra do índio. Em troca desse trabalho de extração, os lusos ofereciam produtos de baixo valor ao indígena, mas que encantavam o nativo. Assim, percebe-se que a construção da sociedade brasi-leira é pautada nesse “jeitinho” de obter, a todo momento, vantagens nas mais di-versas circunstâncias, o que corroborou para torná-lo um hábito.

Em consequência da continuidade do “jeitinho” na nação brasileira tem-se a cor-rupção. Essa associação pode ser feita, na medida em que esse ato antiético é rea-lizado por meio de atalhos (caminhos alternativos mais rápidos) para se obter be-nefícos, exclusivamente, próprios, ainda que prejudiquem outros indivíduos. Por essa razão, em 2021, o Brasil, segundo o portal “g1”, ocupou, dentre os 180 países analisados, a posição 96ª no Índice de Percepção da Corrupção. Nesse sentido, res-salta-se a conjuntura política da nação, marcada por escândalos de desvios de ver-bas públicas, como da saúde e da educação, para uso pessoal de políticos. À exem-plo, a Operação Vampiro, 2004, a qual aponta que 2,3 bilhões de reais teriam sido desviados da saúde, para compra de hemoderivados mediante propinas.

Portanto, objetivando reduzir o “jeitinho” na sociedade brasileira, cabe às institui-ções escolares, formadoras de cidadão, instruírem os indivíduos acerca da impor-tância de agir de modo ético diante das situações cotidianas. Isso deve ser feito mediante palestras e trabalhos extraclasses, para inclusão de familiares. Dessa maneira, a população brasileira será constituída por menos Zé Cariocas.