A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 22/10/2019
O historiador Sérgio Buarque de Holanda relaciona o ‘jeitinho brasileiro’ ao conceito de Homem Cordial, no qual o brasileiro é caracterizado como povo que age pela emoção e que tenta resolver as vicissitudes do cotidiano com informalidade, sem ética, corrompendo ou sendo corrompido. Dessa maneira, esse comportamento é nocivo à sociedade brasileira, mas persiste, devido aos excessos burocráticos e ao enriquecimento ilícito de empresários e políticos.
Primeiramente, porque o jeitinho brasileiro é uma forma de fugir da burocracia governamental e dá ao indivíduo a antiética oportunidade de atingir seus objetivos a despeito de determinações contrárias como leis. Consoante pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, 75% da população considera a lentidão dos procedimentos estatais como estímulo a corrupção. Nesse sentido, ao oferecer dinheiro ou favores o brasileiro tenta burlar excessos cometidos pelo poder público que prejudicam o exercício de direitos e garantias fundamentais em tempo hábil.
Além disso, as frequentes denúncias de beneficiamento de empresários e políticos como partícipes de esquemas de corrupção difunde a ideia de que no Brasil é preciso ter essa flexibilidade ética, esse ‘jeito’, para lograr êxito financeiro. Exemplo disso foi a Operação Lava Jato a qual, segundo o Ministério Público Federal, envolveu o pagamento de 6,4 bilhões de reais em propina visando o favorecimento de empreiteiras e grupos políticos. Deste modo, é passado ao cidadão brasileiro que acordos escusos e o uso de relações pessoais são o único caminho funcional para o acesso a uma melhor qualidade de vida.
Urge, portanto, ações para acabar com a falsa ideia de que é preciso corromper para ter sucesso financeiro ou influência política. Sendo assim, é necessário que o governo, em parceria com o Ministério da Educação, financie projetos educacionais nas escolas e universidades, através de ampla ação midiática, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores, alunos e integrantes do Ministério Público. Nesse sentido, o intuito de tal medida é conscientizar a população acerca da necessidade de uma sociedade mais honesta e da erradicação da prática do suborno e de favores. Ação que, iniciada no presente é capaz de modificar o futuro de toda sociedade brasileira.