A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 06/09/2019

O movimento “Pau Brasil”, vigente na primeira fase do modernismo, preocupava-se com o resgate à cultura nacional, pondo em destaque as raízes brasileiras e suas influências. De maneira análoga, ainda hoje, é possível remontar as características socioculturais do país de acordo com a miscigenação proposta pela colonização portuguesa e legado indígena. No entanto, o característico jeitinho brasileiro, adjetivado pela simpatia e recepção calorosa, é continuamente sobreposto por atos de corrupção. Esses - cometidos em pequena e larga escala - participam do cotidiano tupiniquim, além de serem continuados pela falibilidade punitiva e pelos conceitos morais já arraigados na sociedade em questão.

De primeira parte, há de se analisar que grande parcela das infrações cometidas no país são despercebidas pelas autoridades públicas. A exemplo disso, pode-se citar as sutis transgressões à lei, que por representarem uma consequência estrita ao meio em voga, acabam por ser negligenciadas. Dessa maneira, a falha governamental torna ainda mais viável o cometimento dessas práticas e exponenciam sua banalização. Assim, como o conceito defendido por Maquiavel em “O Príncipe”, os atalhos legislativos, ainda que ilegais, são facilmente compreendidos por quem os comete e levam em consideração a intenção de bem estar, seja coletivo ou individual. Com isso, a base para o “jeitinho” brasileiro, funde-se, também, no enfraquecido método punitivo para crimes considerados pequenos.

Além disso, é de imediata percepção que a base ética brasileira atinge diretamente o comportamento transgressor enraizado na sociedade. Nesse sentido, é possível observar as práticas corruptivas perdurantes na Primeira República; o coronelismo, principal fonte de votos da época, por exemplo, aliava os interesses de grandes autoridades locais com subordinações à população. Dessarte, há de se comprovar que o método de atingir objetivos de maneira mais simples, se faz presente antes mesmo da atual constituição e reverbera um ciclo vicioso no país. Desse modo, o fado intrínseco nas raízes morais do país corroboram um ambiente nacional de múltiplas falhas legislativas e constantes desgastes no exercício de honestidade por parte da sociedade brasileira.

Comprova-se, portanto, que a personalidade brasileira é alvo de inúmeras rupturas éticas e, por isso, carente de medidas atenuantes. Para tanto, é necessária a atuação de agentes como a Ministério Público, que deve atuar na fiscalização de desvios da lei, além do MEC, no dever de cuidar do desenvolvimento de planos educativos, a fim de erradicar os maus hábitos presentes na população. Esse, por meio de palestras e atividades lúdicas, que contemplem o exercício de lealdade e honestidade, contribuirá com a supressão das práticas infratoras na vida adulta. Assim tornar-se-á possível a total erradicação do teor pejorativo, hoje, atribuído ao aclamado “jeitinho” brasileiro.