A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 09/09/2019

Em seu livro “Raízes do Brasil”, Sérgio Buarque de Holanda descreve o brasileiro como homem cordial, ou seja, um indivíduo de caráter marcado por virtudes como altruísmo e compaixão. Entretanto, é imprescíndivel destacar que na realidade atual a persistência do “jeitinho” brasileiro pode desencadear consequências negativas na vida social.

Em primeiro lugar, é necessário destacar que o modo como a sociedade comporta-se foi historicamente construído. Nesse sentido, o individualismo sempre esteve presente nas relações sociais, ou seja, burlar algumas “pequenas” leis não é tão grave quando é para seu próprio bem. Como no caso do coronealismo no ínicio da Primeira República. Essa prática era realizada pelos coronéis com a população que por meio de opressão e censura era obrigada a votar nos candidatos escolhidos pelos próprios governantes, mesmo que a liberdade de escolha já estivesse firmada na constituição. Dessa forma, observa-se que a corrupção atual é fruto de condutas enraizadas pelo jeitinho do índividuo de conseguir o que deseja.

Porém, é importante ressaltar que essas condutas ruins não estão presente apenas na política. Nessa perspectiva, as pessoas que reclamam da corrupção, algumas vezes, se permitem cometer pequenos delitos em prol de uma finalidade particular. Essa atitude é oposta a qual defendia o filósofo Emmanuel Kant, em que o ser humano deveria agir moralmente não com intenção de um benefício, mas sim na busca por ações baseadas no dever e na consciência moral a fim de praticar atos que possam valer como universais. Desse modo, o “jeitinho” brasileiro se transforma em uma justificativa para resolver questões pessoais de modo ilegal.

Urge, portanto que ações sejam realizadas para que as condutas brasileiras possam ser qualificadas de outro jeito. Cabe ao Ministério da educação, a inserção de matérias sobre a constituição e política na grade curricular do Ensino Médio. Por meio, de aulas que expliquem as principais leis e a importância de respeitá-las no convívio social. Para que, os estudantes estejam cientes de seus direitos e deveres, além de possuírem a consciência da importância de agir moralmente correto para construir uma comunidade mais igualitária e justa. Assim, a caraterização de homem cordial, finalmente, possa fazer sentido no Brasil.