A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 06/09/2019
No início da década de 40, a produtora cinematográfica americana Disney criou o personagem brasileiro Zé Carioca, o qual detinha a típica característica estereotipada que representava seu povo: a “malandragem” - esperteza e malícia para lidar com as situações, com o intuito de autobenefício. Várias décadas depois, esse atributo ainda segue, de forma negativa, intrínseco à população do Brasil, seja pela hereditariedade de comportamentos sociais, seja pela falha atuação estatal. Assim, faz-se necessária a discussão a cerca da problemática em questão que se configura mal a ser resolvido.
Primeiramente, é válido apontar a influência exercida pela sociedade sobre o indivíduo como umas das raízes do problema. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, “O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. Sob essa perspectiva, muitos jovens crescem em ambientes familiares carregados de valores maliciosos e egoístas, os quais são apropriados pelos pequenos, de modo a perpetuar tais princípios contraproducentes enraizados no tecido social. Como prova disso, O Índice de Percepção do Cumprimento da Lei, no Brasil, mostra que quase 80% das pessoas recorre a subterfúgios antiéticos, como o suborno, para fugirem das punições constitucionais. Essa conjuntura é prejudicial ao país, visto que cria um cenário de corrupção endêmica, a exemplo da política nacional.
Ademais, outro fator agravante do quadro exposto é a insuficiência governamental. A Carta Magna brasileira garante direitos iguais a todos dos cidadãos. No entanto, a realidade do país vai de encontro a essa premissa, no que tange à educação de qualidade, máxime no tocante às disciplinas que desenvolvem o caráter ético dos alunos, como a filosofia. À vista disso, nota-se a formação de jovens antiéticos e egoístas, os quais são passíveis de infringirem as leis ou de prejudicarem outras pessoas em detrimento do próprio benefício. Essa conjuntura, em consonância com o pensamento do educador Paulo Freire, que afirma que a ausência da educação dificulta a mudança da sociedade, impulsiona a perpetuação dessa mácula, de maneira antagônica ao pregresso pátrio.
Portanto, a persistência dessa conduta atribuída ao brasileiro se mostra uma mazela a ser superada. Para isso, é necessário precipuamente que o Ministério de educação promova, desde o ensino fundamental, a inserção de disciplinas que contribuem para a formação do caráter dos pequenos, como a filosofia, para que eles se tornem cidadãos éticos e respeitem a constituição do país, de forma a arcar com as consequências dos seus próprios atos. Por fim, as escolas, por meio de palestras e afins, devem informar a população a cerca dos malefícios supracitados da mácula abordada e instruí-los de modo a coibir tais atitudes negativas e desenraizá-las do tecido social. Dessa maneira, o problema seria sanado e se tornaria juntamente com o Zé Carioca apenas lembrança do passado.