A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 24/09/2019

A obra “Auto da compadecida” conta a história de Chicó e João Grilo, dois sertanejos sobreviverem por meio de diversos golpes que dão. De fato, casos como o dos personagens não se limitam a cenários fictícios e estão presentes na realidade do país. Nesse sentido, a persistência do chamado “jeitinho brasileiro” é um tema pertinente ao debate na sociedade. Fica notório que se faz necessário analisar as causas, consequências e possíveis soluções para essa conjuntura.

A priori, pode-se dizer que o embrião do jeitinho brasileiro apareceu durante a consolidação do território, em que a colônia desrespeitou o Tratado de Tordesilhas e teve como resultado uma das maiores áreas coloniais. Nessa lógica, é válido afirmar que desde o início da história brasileira está presente essa forma de obter vantagens, de modo que tornou-se enraizada. Segundo a teoria de Émile Durkheim, o fato social é algo exterior ao indivíduo que tem grande força coercitiva. Logo, presume-se que o jeitinho brasileiro, por ser um fenômeno consolidado na sociedade, enquadra-se na teoria de Durkheim e faz com que os indivíduos que não aderem a essa atitude sejam coagidos a adotá-la.

Ademais, o Estado é governado por pessoas e quando elas são guiadas pelo jeitinho, a problemática agrava-se. Dentre esses efeitos, conforme o filósofo Kant, as ações devem ser confrontas sob uma ótica universal para determinar se devem ser realizadas ou não. Por certo,  o uso do poder político para obter vantagens pessoais é resultado do jeitinho na esfera pública, essa atitude contraria a ética kantiana e por isso não pode ser feita. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esses problemas e seus efeitos.

Torna-se evidente, portanto, que caso como o do Chicó e João Grilo vão além da ficção e não podem continuar sendo reflexo do Brasil. Assim, para que o jeitinho brasileiro não persista mais na sociedade, é necessário que o Supremo Tribunal Federal, com ações investigativas da polícia federal, evite que os funcionários públicos, a fim de obter vantagens pessoais, desrespeitem a ética kantiana dentro do trabalho, por meio do julgamento e punição exemplar dessas pessoas. Além disso, as universidades e escolas, precisamos intermédio de aulas e palestras, debaterem os limites para o jeitinho brasileiro, visando que as novas gerações não reproduzam esse comportamento. Enfim, a partir dessas ações, essa atitude tão típica brasileira passará a ser só mais um capítulo da história e não um fato social.