A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 31/08/2019
Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópica para o Brasil. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entraves como “jeitinho brasileiro” ainda se fazem presente no corpo social brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar de que forma a desonestidade é despertada, bem como esclarecer o porquê da sociedade julgar a esfera política como corrupta, quando os mesmos utilizam de artifícios antiéticos para o benefício próprio, em busca de soluções eficientes para esse entrave.
Em abordagem inicial, o jeitinho brasileiro possui diversas facetas, no âmbito positivo é visto como, criatividade para solucionar problemas, humor e entre outras, ao passo que constitui também, um meio para enfrentar as adversidades da vida, mesmo que de forma imoral. Nessa perspectiva, tal problemática entra em conflito com a utopia idealizada por Barreto, na medida em que os indivíduos obtêm vantagens para o benefício próprio de modo desonesto. Aliás, não se pode negar a semelhança dessa ideia com o princípio moral do livro de Maquiavel “O príncipe”, que retrata de modo subjetivo a seguinte sentença, “Os fins justificam os meios” assim esclarece que para obter sucesso, as pessoas podem abdicam de seus valores. Dessa forma, fica evidente a relação da prática reprovável com a garantia de sobrevivência diante das desigualdades sociais.
Ainda convém lembrar que ao se falar de corrupção, logo, pensa-se no âmbito político. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo iluminista Rousseau, em sua obra “O contrato social”. Conforme o pensador, para o bom funcionamento dos organismos sociais é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando um princípio de cooperação. Assim, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social, uma vez que a sociedade assemelha ações antiéticas à esfera política, ao passo que ignora seus próprios atos, por conseguinte transfere a culpa do jeitinho brasileiro ao Estado. Segundo o escritor Dan Ariely, “as pessoas têm a mesma propensão a serem desonestas”, contudo, aspectos culturais e níveis de corrupção podem agravar o quadro social.
Em suma, as instituições de ensino devem, em todos os setores, desconstruir o entrelaçamento de criatividade e ações imorais, com a utilização de recursos, como, palestras, exemplos cotidianos e entre outros, a fim de conscientizar os indivíduos acerca da problemática. Outra medida importante é os meios de comunicação, por meio de reportagens e pesquisas, relatarem a similaridade da corrupção ao aspectos desonestos da sociedade, para então esclarecer tal relação. Com essas ações, acredita-se que o aspecto negativo do “jeitinho brasileiro” será amenizada, de modo a orgulhar Policarpo.