A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 01/09/2019
A técnica do “jeitinho brasileiro” está intrinsecamente ligada ao contexto do Brasil Colônia. No século XVI, os portugueses conquistaram a confiança dos indígenas oferecendo produtos de pouco valor em troca da árvore pau-brasil, o escambo. Assim sendo, a cultura egocêntrica continua ativa com consistência no século XXI e o seu combate é um desafio para a humanidade.
Primeiramente, o brasileiro não tem a percepção negativa da pratica do “jeitinho”. De acordo com o antropólogo Roberto DaMatta, isso se deve ao fato do ato ser um elemento da identidade nacional, como se fosse um defeito perfeito que causasse orgulho para o mundo. Além disso, o músico brasileiro Renato Russo, na canção “Perfeição”, expõe uma chuva de hipocrisia de uma sociedade, do século XX, preocupada com festas e feriados enquanto o caos da falta de educação, do preconceito, do desemprego, da violência, da injustiça aumenta. Com base nisso, será que o Brasil avançou positivamente nos dias atuais?
Ademais, o brasileiro possui a cultura do bode expiatório como justificativa para ser civilmente irresponsável. Para isso, o indivíduo transfere sua responsabilidade para terceiros com o intuito de se preservar, como por exemplo: furar fila, porque o responsável do local não organizou bem; estacionar em local proibido, porque tem muita gente no local; ou jogar lixo na rua, pois o gari terá emprego. Diante dessa realidade, o historiador Leandro Karnal entende que não existe cenário político corrupto com uma sociedade honesta, o que revela nenhum avanço em comparação com o século passado.
Finalmente, o egocentrismo brasileiro está enraizado na cultura há cinco séculos e o povo não tem o senso crítico do erro. Desse modo, é dever do Poder Legislativo, por meio dos senadores, elaborar leis mais rígidas para o tema da antiética com a finalidade de quebrar a atmosfera da impunidade e obrigar o cidadão a refletir sobre seus atos, já que eles podem levá-lo ao prejuízo financeiro. Por conseguinte, espera-se uma diminuição da cultura do bode expiatório e a expectativa de que o Brasil fique próximo de ser um país realmente perfeito ao longo do tempo.