A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 03/09/2019
Em seu livro ‘‘raízes do Brasil’’ Sérgio Buarque de Holanda já abordava a ideia de ‘‘jeitinho’’ brasileiro no qual ele caracterizou como cordialidade. Todavia, se engana quem pensa que o conceito de homem cordial é um exemplo de bons modos, muito pelo contrário, segundo o historiador tal postura polida é uma forma de mascarar suas reais intenções por meio de convencionalismo, a fim de obter alguma vantagem na sociedade. Nesse contexto, é perceptível que esse errôneo princípio de virtude se faz presente no Brasil hodierno. Desse modo, torna-se premente analisar os principais impactos dessa problemática: o fator educacional envolvido e os aspectos socioculturais.
A educação é o principal elemento no desenvolvimento de um país. Atualmente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido no famoso conceito pejorativo: o jeitinho brasileiro. Nesse viés, indivíduos que não desfrutam de uma educação apropriada desde o início de sua vida tende a agir em benefício próprio em detrimento da coletividade. Diante do exposto, vê-se que atitudes ‘‘cordiais’’ na sociedade suplantam os valores pessoais sinceros.
Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores socioculturais. Analogamente, bons exemplo disso é o conceito ‘‘malandragem carioca’’ que tem sua gênese no período de crescente urbanização do Rio de janeiro no início do século XX. Nesse perspectiva, infelizmente, a atitude de se sobressair sobre o outro se faz presente até os dias atuais.
Infere-se, portanto, que ações de fazem necessárias para a resolução do problema. Cabe ao Estado - maior representante da união - em conformidade com o MEC ( ministério da Educação) promover projetos elaborados por psicopedagogos, sob fiscalização jurídica, que fitem informar nas escolas sobre a importância de agir com honestidade e autenticidade, por meio de debates com professores de sociologia e filosofia sobre o assunto, a fim de mobilizar os alunos a desenvolverem raciocínio crítico. Espera-se com isso, a aplicação de valores baseados no embasamento de intelecto próprio e genuíno.