A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 03/09/2019
Agostinho Carrara, suburbano do seriado “A grande família”, utiliza-se da criatividade como estratégia para eliminar obstáculos burocráticos, buscando sempre se dar bem. Analogamente, não distante do estereótipo ficcional, no Brasil, devido ao enraizamento de uma cultura de transgressão as regras e a uma política de fiscalizações incipientes, a prática do “jeitinho” se perpetua na sociedade.
A priori, é lícito postular que a manutenção do “jeitinho brasileiro” perpassa a história de formação do país. Dessa maneira, práticas passadas ainda são refletidas no presente, configurando-se como heranças nocivas. Nesse contexto, insere-se, por exemplo, a “Política dos Governadores”, estabelecida durante a República Velha, na qual se burlavam os pleitos eleitorais para escolher o político mais conveniente. Paralelamente, hoje em dia, seja na esfera política ou não, a insistência de medidas como estas são recorrentes e normatizam atos corruptos.
Outrossim, é imperativo pontuar a falta de fiscalização como fator motriz para o indivíduo ter a destreza de transgredir leis e regras. Evidenciando o supracitado, comportamentos egoístas, como o de furar fila, são estimulados em decorrência da carência de punições consistentes. Não obstante, tal cenário exacerba a existência de desigualdades. Isso porque as normas igualitárias são ignoradas, favorecendo somente quem se utiliza do “jeitinho” e prejudicando os demais.
Em suma, o “jeitinho brasileiro” é um complexo desafio hodierno e precisa ser combatido. Dessarte, as escolas, responsáveis por estimular o pensamento crítico nos indivíduos, devem transmitir valores ao alunos, por meio de rodas de conversas e debates engajados, para que eles tornem-se cidadãos conscientes e capazes de alterar o cenário de banalização de crimes. Ademais, é mister que os legislativos criem leis menos permissivas, a fim de punir aqueles que praticam atos ilícitos, inibindo a cultura de impunidade no país. Assim, feito isso, o protótipo do “jeitinho brasileiro”, inerente ao personagem Agostinho Carrara, fará parte apenas da ficção.