A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 05/09/2019
Brás Cubas, defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teria filhos, a fim de nunca ter de esclarecer os legados das misérias humanas. Analogamente, o indivíduo corrupto que não sente remorso por seus erros, e não recebe a devida repreensão enquadram-se no posicionamento da personagem, uma vez que constituem como desafios da humanidade a serem superados para mitigar a persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira. Assim, é necessários discutir os aspectos sociais da questão, em prol do bem-estar social.
A priori, nota-se a perseverança do modo corrupto que o brasileiro age graças a falta de punições aplicadas pelo poder executivo. Nesse sentido, de acordo com a Estratégia nacional de justiça e Segurança Pública, somente cerca de 6% de todos os homicídios apurados pela polícia é de fato resolvido. Dessa forma, o indivíduo sente-se com total liberdade, e não se preocupa de forma alguma com as possíveis consequências de seus atos, tendo em vista a ineficácia do poder público. Logo, nota-se que por todo o território destaca-se o comportamento malandro do brasileiro, e o “jeitinho” de agir vai do mais simples homem, até os políticos que se nomeiam como os mais honestos.
A posteriori é substancial discutir os aspectos sociais da questão e seus desdobramentos. Partindo desse pressuposto, é possível observar que a pessoas que levam vantagem sobre outras, muitas das vezes não se sentem culpadas por seus atos. Assim sendo, de acordo com Dan Ariely, no seu livro “A mais pura verdade sobre a desonestidade” os indivíduos tendem a ser desonestos quando veem um exemplo de trapaceiro se dando bem. Em síntese, o Brasil encontra-se infestado por maus exemplos, diariamente pode ser observado centenas de caloteiros tentando se dar bem nas custas dos outros, e quase nenhum deles é realmente punida por suas atitudes. Desse modo, o indivíduo vendo todos a seu redor saindo livres de ações maléficas, se sente livre e sem remorso para cometer os mesmos erros.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática no Brasil. Para que a sociedade evolua como um todo, e para que todos os indivíduos pertencentes a ela não tenham o medo diário de serem passados para trás por todos aqueles que o cercam, urge que o estado, especificamente o poder executivo, utilize das leis já desenvolvidas pelo sistema legislativo, para executar as devidas punições as pessoas que venham a cometer ou já cometeram atos trapaceiros. Dessa forma, o Brasil irá tornar-se mais justo e coeso, e deixará um legado que Brás Cubas se orgulharia em repassar.