A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 07/09/2019
A premissa “O homem nasce bom, a sociedade que o corrompe” de Jean-Jacques Rousseau remete à reflexão do atual cenário de corrução brasileira. Infelizmente, esse processo está enraizado na história do Brasil, o qual é conhecido mundialmente pela característica de resolver problemas com certa facilidade, o chamado “jeitinho brasileiro”. Essa situação permeia ao longo do tempo devido aos pequenos atos corruptos, como furar filas e burlar leis de trânsito, que levam aos grandes, como roubo dos cofres públicos. Desse modo, o indivíduo que é inserido em um meio corrupto torna-se semelhante.
A princípio, vale ressaltar que essa expressão é relacionada ao brasileiro de forma preconceituosa. A exemplo, o personagem “Zé Carioca” da Walt Disney retrata o cidadão brasileiro com seu “gingado malandro” de viver e se beneficiar com diversas situações cotidianas, o que contribui para essa imagem discriminante do país internacionalmente. Esse fato pode também estar atrelado ao sentimento de impunidade da população, no qual, com a hierarquização da sociedade, o sujeito observa práticas incovenientes de alguém superior e não ser punido, passa então a considerar essas como algo natural ou habitual.
Ademais, apesar do país ter conquistado a democracia recentemente, é sabido que não ser democrático é mais natural. Como retrato disso, o escândalo midiático governamental da Lava Jato mostrou a supremacia do ordenamento impessoal no momento de governar, ou seja, o interesse individual está sob o interesse coletivo. Na obra “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda, o autor aborda sobre esse domínio personalista que foi adquirido na época colonial, em que portugueses buscavam riquezas na colônia brasileira sem trabalhar. Com isso, torna-se notório essa postura do “homem cordial” provocando confusão na relação entre público e privado.
Fica evidente, portanto que, os atuais problemas a cerca do modo de governabilidade do Brasil possuem suas origens influenciadas por diversas etnias e formas de relações comerciais. Assim, faz-se necessário que o Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação (MEC) promovam uma evolução de pensamento e atitudes dos alunos desde o ensino básico para que adquiram condutas éticas e morais em seu dia-a-dia. Isso pode ser feito por meio de palestras, oficinas e aconselhamento individual. Dessa maneira, o povo poderá conscientizar-se e participar ativamente da construção de um futuro mais honesto.