A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 08/09/2019

No início da década de 40, o personagem Zé Carioca, um papagaio malandro, esperto e de vida boêmia, ganhava forma pelas mãos de Walt Disney que buscava de maneira caricata representar o Brasil. O “jeitinho” brasileiro é um eufemismo para corrupção, sobreposição dos interesses pessoais aos coletivos e está presente não só na ficção, mas na realidade do país ao longo de todos esses anos. Dessa forma faz-se necessária a compreensão da moral e ética para a amenização da problemática e os efeitos da cultura da facilidade para obtenção de benefício próprio.

A priori, é importante ressaltar que essa capacidade de contornar situações de maneira prática possui caráter histórico e cultural. Isto é, comportamentos que vão de pirateamento de CD’s e DVD’s, furar filas, até a corrupção e suborno de agentes públicos, são muitas vezes vistas como virtudes essas maneiras astutas de agir. Como consequência dessa violação das normas e leis, a deficiência nos órgãos públicos, que por ora se confunde com o privado, gera fraude, nepotismo, peculato, dentre outros problemas.

Ademais, o “jeitinho” gera certa fragilidade institucional, pois dá a entender que fica impune quem comete pequenos delitos e não demora muito para que através da prática, sejam cometidos atos ilícitos de maior proporção. Assim como Thomas Morus afirmou que “nenhum homem é uma ilha”, a moral tem papel social e nos faz refletir sobre atitudes que tomamos, uma vez que seguir certas regras preservam a dignidade e contribuem para o viver em comunidade.

Diante do exposto, faz-se necessária a adoção de medidas para resolver esse impasse. O Ministério da Educação em parceria com os Direitos Humanos devem promover palestras com sociólogos e pedagogos em escolas do Ensino Fundamental, Médio e Universidades, a fim de mostrar e ensinar os efeitos negativos do jeitinho na sociedade brasileira. Além disso, é dever do Ministério da Justiça fortificar e assegurar o cumprimento das leis, investindo em segurança pública e fiscalização, a fim de erradicar a facilidade de burlar leis. Por fim, que as Mídias contribuam através de campanhas conscientizadoras tendo como a finalidade a desassociação da corrupção com inteligência e virtude.