A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 08/09/2019

Criado na década de 40 pelos estúdios Walt Disney, o personagem Zé Carioca, um típico malandro carioca, sempre consegue resolver seus problemas por meio do “jeitinho brasileiro”. Fora da ficção, a expressão “jeitinho brasileiro” é utilizado para nomear as pequenas corrupções cometidas diariamente, a fim de garantir interesses pessoais em detrimento do coletivo. Entretanto, esse costume, apesar de ser uma maneira de legitimar a corrupção que ocorre no país, também representa a forma criativa que o povo brasileiro encontrou de resolver seus problemas cotidianos.

Em primeiro plano, é necessário perceber que o “jeitinho”, é uma forma de corrupção que prejudica o desenvolvimento das instituições brasileiras. Durante a república oligárquica se tornou comum a política de “troca de favores”, onde um candidato político prometia algo em troca de apoio. Essa prática, apesar de ser menos evidente, é algo que ocorre no Brasil atual, comprometendo a democracia brasileira. Fora da esfera política, essas pequenas corrupções também ocorrem, como a compra de informações por empresas, por exemplo, ou até mesmo a realização de um “gato” na energia.

Por outro lado, o “jeitinho brasileiro” pode ser considerado como uma forma criativa de resolver problemas cotidianos. Segundo o jurista Luís Roberto Barroso, o “jeitinho” pode ser caracterizado como uma maneira de superar dificuldades, e muitas vezes está ligada a sobrevivência diante da desigualdade social gritante que existe no Brasil. Logo, isso pode ser considerado um lado positivo dessa prática para o corpo social, pois permite a resolução de problemas de maneiras surpreendentes.

Infere-se, portanto, que o “jeitinho brasileiro” persiste na sociedade brasileira, e, apesar de ter um lado positivo, combater a parte negativa dessa prática é um desafio. O poder executivo, juntamente com o judiciário, deve agir em favor da população, fiscalizando de maneira mais rígida os políticos, donos de empresas e até mesmo a população, procurando aqueles que cometem atos de corrupção, além de aplicar punições mais severas, a fim de combater a corrupção em todas as esferas, garantindo o pleno desenvolvimento das instituições brasileiras. Aliado a isso, o Ministério da Educação, com apoio das escolas, deve criar palestras e oficinas nas escolas, que abordam temas como a história do “jeitinho brasileiro” e quando o “jeitinho” pode ser considerado algo positivo, a fim de ensinar os estudantes sobre como usar essa prática de uma forma positiva e justa, combatendo assim, o lado negativo dessa prática. Feito isso, o “jeitinho” não será mais considerado brasileiro.