A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 16/09/2019

O “jeitinho” brasileiro é uma expressão que está fortemente popularizada na sociedade e denota uma maneira de alcançar benefício próprio a qualquer custo, mesmo que para isso seja necessário cometer alguma desonestidade ou prejudicar alguém. Nesse contexto, essa é uma prática corriqueira entre a população brasileira, e persiste por ser uma herança colonial profundamente enraizada e, por isso, de difícil superação. Desse modo, é necessário que os múltiplos setores da sociedade unam esforços para extinguir essa desonestidade velada.

Em primeiro lugar, o “jeitinho” foi uma prática que surgiu com a colonização portuguesa. Nesse contexto, os europeus possuíam o objetivo de somente explorar as terras e os nativos, alcançando o máximo de proveito sem o objetivo de devolver qualquer benefício, seja educacional, social ou cultural. ás terras exploradas. Desde então, nasce no Brasil a mentalidade de “tirar vantagem” de tudo o quanto puder. Nesse contexto, tanto em situações consideradas relativamente simples como “furar” a fila ou passar “cola” na escola, até eventos grandiosos e com consequências catastróficas como a corrupção política, o “jeitinho” desonesto de lidar com os problemas  se alastrou pelo Brasil e persiste até os dias atuais.

Desse modo, são diversas as situações nas quais as pequenas desonestidades são notadas na vida cotidiana da população brasileira. Prova disso, a revista Reader’s Digest realizou um teste no Rio de Janeiro, espalhando 12 carteiras com dinheiro pelas ruas da cidade, sendo que dessas, apenas três foram devolvidas, o que comprova que muitos brasileiros estão dispostos a serem desonestos e até mesmo prejudicarem outras pessoas, caso essa ação lhes traga benefícios pessoais.

Pode-se dizer, portanto, que no Brasil persiste o “jeitinho” de solucionar as questões cotidianas, o que envolve, não poucas vezes, a desonestidade. Desse modo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, dê ênfase ao surgimento do “jeitinho”, para assim alertar aos alunos sobre os seus malefícios para a sociedade e desconstrua essa mentalidade de alcançar benefícios em detrimento do bem estar geral. Além disso, as famílias, juntamente com as ONGs, devem envolver a população em projetos sociais sem fins lucrativos, a sim de reafirmar valores como doação e compaixão. Desse modo, o Brasil estará mais próximo do valor da solidariedade, que é fazer o bem sem esperar nada em troca.