A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 14/09/2019

Jeitinho malandro de ser

O “jeitinho brasileiro” é um termo que define um modo de se comportar que vai contra a moral e a ética, visando sempre o benefício próprio e seguir o caminho mais fácil. Infelizmente, tal forma de agir possui profundas raízes históricas e persiste até a atualidade, mesmo que inconscientemente, na vida privada e na pública do brasileiro, sendo hipocritamente socialmente aceita no primeiro caso e condenada no segundo.

Ao contrário do senso comum, tal “jeitinho malandro de ser” começou com os portugueses no Período Colonial, quando esses lucravam em cima da inocência dos índios, e foi se enraizando no comportamento das pessoas, desde o trabalhador da pedreira até o grande comerciante, como mostra a obra “O Cortiço” de Aluísio Azevedo. Outro exemplo desse “jeitinho” é a corrupção política presente desde os primórdios da República com o Coronelismo e nepotismo e, no atual século XXI, com a grave crise política que o país enfrenta.

Quando se trata do seu uso na política através da corrupção é largamente condenado, no entanto, quando o seu uso é no cotidiano é visto como perseverança, como diz o ditado popular “brasileiro não desiste nunca”. Desse modo, colar em uma prova, contar uma “mentirinha” benéfica ou praticar “achado não é roubado” são situações de corrupção cotidiana que se usam do “jeitinho malandro”.

Desse modo, combater algo tão enraizado no comportamento dos brasileiros exige uma conscientização geral de que isso é errado e imoral, principalmente porque o próprio ambiente social que o indivíduo está inserido influencia seu comportamento, como afirmava o filósofo Rousseau. Então, como se muda esse quadro? Através da Educação é possível fazer as pessoas desenvolverem o pensamento crítico, mais precisamente através da leitura, que além disso ajuda a desenvolver a empatia. Tendo a escola e a mídia um papel importante no incentivo dessa prática.