A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 16/09/2019

O livro “Memórias de um sargento de milícias” de Manuel de Antônio de Almeida, retrata de forma cômica o personagem Leonardo, conhecido como filho de uma piscadela e um beliscão, é caracterizado como um típico malandro, visto pelo modo que dribla as adversidades impostas ao longo da trama. Fora da ficção,a questão do jeitinho brasileiro,não é uma problemática atual da sociedade brasileira,causando preocupação, visto que essa cultura tem se tornada arraigada na sociedade. Desse modo, é mister analisar a falta de ética, bem como rejeição ao formalismo nas relações sociais como mazela histórica.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a busca por vantagem atenua tal problemática .Sob tal ótica, é cabível enfatizar que de acordo com a ética kantiana as ações do homem devem ser guiadas pela razão, e tais atitudes devem beneficiar o bem comum. Nessa linha de pensamento pode-se inferir que a conjectura de Kant se opõe a realidade tupiniquim, visto que cada vez mais as pessoas têm pensado somente em benefício próprio, sempre tentando tirar proveito, mesmo que tais atitudes prejudiquem outras pessoas. Exemplo disso, seria a Lei de Gerson, termo próprio da cultura brasileira, que define o ato de obter vantagem de forma indiscriminada ignorando questões éticas e morais. Em suma, é nítido que a teoria de Kant comprova o impasse.

Ademais, é incontrovertível as dificuldades em lidar em situações formais e rígidas ao longo da história configura-se como um obstáculo para diminuição de praticas tipicas do jeitinho brasileiro. Nesse sentido, segundo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro Raízes do Brasil, descreve o homem cordial, caracterizado como individuo que mantém suas relações baseadas pela afetividade e hospitalidade, deixando de lado as burocracias e formalidades facilmente. Desse modo, pode-se observar que o homem cordial proposto pelo escritor descreve de forma clara a população hodierna, visto que tal característica promove a atitudes corruptas, exemplo desse fato, seria o coronelismo, período que se oferecia proteção em troca de votos .Logo, é evidente que tal mazela perpetua  no país.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar o problema. Dessa forma para diminuir a persistência do jeitinho brasileiro, urge que o Ministério da Educação(MEC), promova um dia no calendário letivo escolar, no qual promova palestras, ministradas por profissionais da área, sobre a importância dos valores éticos e morais. Nesse sentido, esse projeto atua por meio de uma didática que incentive as crianças a tais atitudes, atuando desse modo como uma ponte de conhecimento e disseminador de boas práticas. Somente através dessa, e de outras medidas a sociedade poderá se distanciar do cenário de malandragem observados na obra de Manuel de Almeida.