A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 16/09/2019

O cidadão brasileiro contemporâneo herdou a malandragem e a trapaça de uma colonização de exploração. Ainda que alguns desses “jeitinhos” pareçam banais, como furar fila, ainda é corrupção. Esse hábito perpetua enraizado na sociedade. Não é demais dizer que brasileiros não são vistos com bons olhos tanto nos EUA quanto na Europa, são tidos como ladrões, vagabundos e assim por diante.

Por conseguinte, a corrupção só pôde existir porque estava disseminada no povo, o contexto Brasil Colônia exigiu que os brasileiros de modo geral soubessem artifícios para burlar o pacto colonial. Em uma sociedade corrompida que finge ser contra a práticas ilícitas, ninguém é inocente. As praticas estelionatárias que perduram no eixo politico é só um reflexo da sociedade do “jeitinho’.  Logo, mudar esse quadro é importante também para desconstruir o rótulo de malandro que acompanha o povo brasileiro e que é tão prejudicial à imagem do nosso país lá fora.

Entretanto, a população muitas vezes se revolta e se sente uma vítima desse mal - que se alastra no seio das sociedades, não se obstando por limites culturais, temporais ou territoriais - e ignora sua parcela de culpa. O desvio de conduta, a desonestidade, a ambição desregrada são intrínsecas à natureza humana.  Dessa maneira, situações encaradas como parte do cotidiano se mostram nocivas e contribuem para a manutenção de um sistema corruptível e desigual. Por isso, a banalização de atos egoístas e transgressores, como burlar blitz da lei seca, dar ou aceitar troco errado e comprar produtos falsificados, legitima a aceitação de grandes corrupções que de tempos em tempos vêm à tona nos noticiários.

Fica claro, portanto, que há uma complexidade nessa ocorrência social que demonstra uma necessidade de avaliação por diferentes ângulos e considerações. Para tanto, é primordial que haja, por parte do governo, maior rigor e punição àqueles que praticam atos ilícitos, inibindo a cultura de impunidade; também é papel do indivíduo lutar por uma sociedade mais igualitária, sendo ativo na busca por seus direitos e não atuando de forma conivente e/ou omissa aos casos de corrupção de pequenas e grandes proporções; por sua vez, cabe a família transmitir valores aos jovens, para que estes se tornem cidadãos conscientes, formadores de um novo círculo virtuoso, capaz de alterar o cenário de banalização de crimes, constituindo um Brasil no qual o Jeitinho não seja mais visto como característica inerente e enraizada no brasileiro.