A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 16/09/2019
Conforme o filósofo Immanuel Kant, cada individuo deveria agir de modo que seu comportamento se tornasse uma lei universal. No entanto, os brasileiros subvertem o imperativo categórico de Kant, tendo em vista que cometem pequenas ações corruptivas, mas esperam que o Poder público e a sociedade ajam com honestidade. Desse modo, se construiu um “jeitinho brasileiro”, o qual é cercado de uma cultura de corrupção e perpetuado em todas as esferas sociais brasileiras. Dessa maneira, são imprescindíveis ações com o fito de desconstruir tal “jeitinho” nas instituições.
A priori, a naturalização de ações corruptivas colabora para a propagação do “jeitinho” na sociedade brasileira. Segundo a socióloga Hanna Arendt, quando uma ação é constantemente praticada sem ser questionada, a mesma se naturaliza, independente do seu caráter moral. Nesse sentido, práticas como, a exemplo, furar uma fila ou burlar um teste são vistas como normais, o que cria um ideário de banalização e negligência das leis. Tal conjuntura contribui para que se perpetue esse ideário deturpado das normas, que trata a justiça como branda, o que contribui para um quadro de caos social. Logo, é fundamental a desconstrução desses comportamentos,para a superação desse impasse.
Igualmente, é notória a presença do “jeitinho brasileiro” nas instituições e suas implicações para o Brasil. Nessa lógica, consoante a afirmação da ativista Carol Hanisch “o pessoal é público”, pode - se perceber a relação de dualidade entre Estado e sociedade, haja vista que a gestão estatal é feita por cidadãos. Dessa maneira, se na esfera comunitária há uma cultura de práticas ilegais, por conseguinte, na máquina pública também há, o que provoca sérios prejuízos financeiros e aumenta a desigualdade social. A exemplo tem - se a recente “Operação Lava - Jato”, que investiga e pune atos ilegais políticos. Destarte, são necessárias maiores investigações e sanções para tais crimes.
Diante do exposto, torna - se evidente a permanência desse “jeitinho"e a urgência de ações para combatê - lo no Brasil. Logo,urge que as Instituições de Ensino promovam o debate acerca das implicações dessa cultura corruptiva presente no cotidiano brasileiro, através de rodas de conversas e palestras, além de informar os principais direitos e deveres dos cidadãos, a fim de que os mesmos estejam cientes da legislação e da importância social de respeitá - la. Outrossim, é indispensável que o Ministério da Justiça investigue denúncias ou ações suspeitas de políticos e órgãos governamentais, através de operações com a Polícia Federal, em que suspeitos sejam interrogados, contas bancárias sejam analisadas de acordo com autorização judicial, para que assim, a corrupção seja combatida e o “jeitinho brasileiro” se transforme em uma conduta honesta e com base constitucional.