A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 27/10/2019
Na música de Wilson Batista feita em 1932, Lenço no Pescoço, trata-se de um estilo musical conhecido como samba malando. Este modelo de música foi perseguido na Era Vargas devido a seu caráter potencialmente desestabilizador da ideologia trabalhista que então se buscava implantar. Embora o presidente quisesse esconder tal sistema de ideias, é notório que o mesmo persiste na sociedade brasileira. Sendo que quando é interpessoal pode ser considerado positivo, porém, ao sair dessa esfera, passa a ser visto como negativo.
De certo, tentar levar vantagem em algo não é exclusivo do povo brasileiro. Aliás, para o professor americano de psicologia e economia Dan Ariely, em seu livro “A mais pura verdade sobre a desonestidade”, as pessoas tem a mesma propensão a impudência. O que muda é o cenário, sistema de leis e incentivo a desonestidade. Em uma das pesquisas que mais trabalhou, foi a aplicação de uma prova valendo dinheiro para cada questão acertada, sendo que o participante somente falava seus acertos e destruía a prova. A análise mostrou que o indivíduo sempre aumentavam 15% de seus acertos. Assim, pode-se observar que as pessoas não trapaceavam para ser vista como desonestas, mas também queriam se beneficiar.
Além disso, o brasileiro é conhecido por “dar um jeitinho para tudo”, sendo algo intrigante da cultura do país. Posto que, o psicólogo André Rabelo, que é mestre e doutor na área, diz que “o jeitinho pode ser entendido como um tipo de ação visando obter benefício próprio ou a resolução de um problema prático, fazendo uso de criatividade, cordialidade, engano e outros processos sociais”. Ele cita que, no artigo “Personality and Social Psychology Bulletin”, pesquisadores identificaram três principais dimensões, sendo uma delas a corrupção. Ela é apontada como algo que atrapalha o desenvolvimento das organizações brasileiras. Ir contra aquilo que é certo, independentemente do grau, é errado da mesma forma, mesmo que não seja percebido e venha a ser aceito.
Desse modo, para que se haja a quebra desse sistema de ideias no Brasil, é necessária uma ação do Mistério da Educação, que deve, por meio de instituições ligadas ao saber, como as escolas de ensino fundamental, disseminem o conceito aos alunos sobre o quão errado é trapacear e seus reflexos que causam na sociedade. Ademais, devem fornecer aos pais palestras sobre esse “jeitinho”, pois a família sendo como formadora de caráter, reforcem tal ideologia sobre tal ato. Para que, quanto mais combatido, melhor será a vida em sociedade, e, consequentemente, nas organizações que a compõem.