A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 30/09/2019

A capacidade de contornar situações que por vezes se mostram insolúveis e a recorrência de manobras previamente elaboradas, que nem sempre se enquadram na legalidade, cujo fim é esquivar-se de problemas configuram o chamado “jeitinho brasileiro”. É possível perceber que a persistência desse comportamento na sociedade pode trazer tanto benefícios quanto malefícios, uma vez que se por um lado facilita a vida cotidiana dos indivíduos, por outro, quando aplicado à política, torna-se insalubre e vergonhoso.

Pode-se perceber, primeiramente, que a continuidade do jeitinho brasileiro não pode ser encarada totalmente como negativa, haja vista que a habilidade e o engenho em lidar com as situações difíceis constituem estratégias de sobrevivência social para muitos. As desigualdades econômicas e a lentidão dos serviços públicos levam os brasileiros a solucionar coisas que estão quebradas em casa ou faltando nas vilas e bairros. O personagem Zé Carioca, criado pelo estúdio americano Walt Disney, representa o Brasil e tem por característica resolver os problemas recorrentes da vida diária, na cidade do Rio de Janeiro, usando a criatividade, improviso e meios pouco convencionais.

Por outro lado, é preciso enfatizar que a violação das convenções sociais por meio do hábito de improvisar soluções para situações problemáticas traz malefícios à população brasileira, visto que abre caminho para a corrupção. Nota-se que políticos desonestos utilizam dessa prática para se favorecer, abusando do poder que possuem como governantes para vetar leis contra a corrupção, nas quais seriam condenados. Ilustrando essa situação, tem-se o caso do senador Aécio Neves, aceito como réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção, mas que após uma série de recursos, teve seu inquérito arquivado e concorreu nas ultimas eleições para senador do estado de Minas Gerais. Assim, perpetua-se a cultura de burlar as regras contribuindo para a estruturação de um profundo esquema de corrupção na política.

Desse modo, sabe-se que a persistência do jeitinho na sociedade brasileira possui um lado perverso que precisa ser combatido. Por isso, é necessário que o Pode Executivo, por meio do Ministério de Justiça e Segurança Pública, fiscalize com maior frequência e rigor as ações dos políticos, com objetivo de combater manobras políticas, bem como a distorção das leis, e, assim, diminuir a corrupção no país. Além disso, é preciso que o Ministério da Educação implemente nas escolas aulas de educação moral, cívica e inteligência emocional, ministradas por professores de filosofia, sociologia e psicopedagogos, para ensinar crianças e jovens a como se portar diante de situações difíceis, assim como resolver seus problemas por meio do uso da criatividade sem prejudicar outras pessoas ou de forma ilícita.